(Lux Abissalis)
(Canção da Descida e da Iluminação Interior)
[Verso I]
Chamaram de queda aquilo que era jornada,
Chamaram de sombra a porta da visão.
Eu caminhei além dos templos erguidos,
Buscando a origem da própria razão.
Desci as escadas do mundo oculto,
Onde o silêncio aprende a falar.
Cada medo guardado no abismo
Era uma estrela prestes a despertar.
[Pré-Refrão]
Não há luz sem atravessar a noite.
Não há ouro sem o fogo alquímico.
Pois quem teme o próprio abismo
Permanece estranho a si mesmo.
[Refrão]
Eu desço para ascender.
Eu mergulho para compreender.
Nas profundezas encontro a chama
Que nenhum céu pode conceder.
Lux! Lux Abissalis!
Luz nascida da escuridão.
O abismo não é meu inimigo,
É o espelho da transformação.
[Verso II]
Vi máscaras caindo aos meus pés,
Vi crenças ruírem como areia ao vento.
Os tronos falsos foram quebrados,
Restou apenas o conhecimento.
A serpente antiga sussurra segredos
Pelos corredores da percepção.
Não para escravizar a alma,
Mas para revelar sua condição.
O que estava oculto se revelou.
O que estava preso se libertou.
O que dormia sob os escombros
Finalmente acordou.
[Ponte]
Eu abraço a sombra.
Eu abraço a luz.
Pois ambas habitam
A estrada que me conduz.
Nem anjo, nem demônio.
Nem servo, nem senhor.
Apenas consciência desperta
Reconhecendo seu valor.
[Grande Refrão]
Eu desço para ascender.
Eu me dissolvo para renascer.
No coração do próprio abismo
Encontro a coragem de ser.
Lux! Lux Abissalis!
Fogo vivo da percepção.
Quando a noite é atravessada,
Nasce o Sol da iniciação.
[Final]
E quando o último véu cair...
Não haverá inimigos.
Não haverá correntes.
Não haverá medo.
Apenas a chama silenciosa
Ardendo no centro do ser.
Pois o verdadeiro abismo
Nunca esteve abaixo.
Sempre esteve dentro.
E a verdadeira iluminação
Foi lembrar quem observa a escuridão.