Sol Negro
(Ópera da Luz Nascida das Sombras)
(Intro — Sussurrado)
Quanto maior a noite…
mais distante pode ser vista a estrela.
Quanto mais profundo o abismo…
mais poderoso pode nascer o sol.
(Verso I)
Passei anos escondendo minhas ruínas,
vestindo claridade sobre feridas vivas.
Mas toda sombra esquecida no peito
crescia silenciosa atrás do sorriso perfeito.
Os santos que nunca tocaram a dor
jamais conheceram o verdadeiro ardor.
Pois existe uma luz que não vem da inocência…
mas da travessia consciente da existência.
(Pré-Refrão)
O universo guarda um segredo antigo:
a intensidade da chama
depende da profundidade do vazio.
(Refrão)
Quanto maior a sombra,
maior pode ser a luz.
Pois os sóis mais intensos
nascem da noite que os conduz.
Quem já desceu ao caos
carrega estrelas na escuridão.
E às vezes o coração mais ferido
se torna o maior farol da criação.
(Verso II)
Kali dança onde o ego morre.
Shiva destrói aquilo que apodrece.
O abismo não existe para punir…
mas para revelar aquilo que permanece.
Há pessoas feitas de luz pequena,
porque nunca atravessaram a própria caverna.
Mas aquele que encara o monstro interior
desperta um fogo quase aterrador.
A raiva pode virar coragem.
A dor pode virar visão.
E o inferno atravessado consciente
transforma-se em iniciação.
(Ponte Ritualística)
Toda estrela nasceu no escuro.
Toda aurora rompeu a noite.
Toda consciência desperta
atravessou o próprio açoite.
O carvão suporta pressão…
até tornar-se diamante.
(Grande Refrão)
Quanto maior a sombra,
mais vasto pode ser o despertar.
Porque a alma que sobrevive ao abismo
aprende o verdadeiro significado de iluminar.
Não existe sol sem vazio.
Não existe renascimento sem fim.
E talvez as maiores luzes do mundo
tenham surgido…
de pessoas que quase foram consumidas
por si mesmas.
(Outro — Voz baixa)
A escuridão nunca foi o oposto da luz…
Ela era o útero
onde a luz estava sendo criada.