O Deus das Sombras e da Luz
(Intro — voz grave, ambiente ritualístico)
Eu formo a luz…
e crio as trevas.
Eu faço a paz…
e desperto o caos.
No ventre do Absoluto,
não existe separação.
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Verso I
Fui ensinado a esconder o abismo,
vestir pureza, negar o instinto.
Mas toda sombra esquecida no chão
cresce em silêncio dentro do coração.
Jung sussurrou pelos corredores da mente:
“Quem foge da noite jamais será consciente.”
Pois o monstro acorrentado no porão
é o mesmo guardião da transformação.
Kali dança sobre os medos humanos,
com colares de ego e crânios insanos.
Durga cavalga o leão interior,
feroz e divina no mesmo fulgor.
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Pré-Refrão
Toda luz projeta sombra.
Toda alma possui um véu.
O inferno rejeitado
também pertence ao céu.
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Refrão
Eu sou templo e tempestade,
sou veneno e cura ancestral.
Dentro do mesmo oceano
habita o divino e o animal.
Se Deus criou a luz e as trevas,
quem sou eu pra me partir?
Só encontra a própria inteireza
quem desce ao caos sem fugir.
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Verso II
Shiva medita no topo do tempo,
mas também destrói mundos com o vento.
No Tandava cósmico da dissolução,
a morte é apenas transmutação.
O universo não teme contraste,
somos nós que fugimos do desastre.
Chamamos de mal aquilo que arde,
mas às vezes o fogo também é verdade.
A sombra rejeitada vira prisão,
máscaras douradas escondem a corrupção.
Quem só busca ser santo e perfeito
abandona metade do próprio peito.
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Ponte Ritualística
Olha teu ódio.
Olha teu medo.
Olha o desejo escondido em segredo.
Não para servir à escuridão…
mas para trazê-la à iniciação.
Pois aquilo que encaras
deixa de te controlar.
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Refrão Final
Eu sou o fogo e o silêncio,
sou eclipse espiritual.
Filho da noite e da aurora,
fragmento do Todo Universal.
Kali sorri entre ruínas.
Shiva dança no final.
E Deus continua criando
luz… trevas…
vida…
e o caos primordial.
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Outro — sussurrado
Para tornar-se inteiro…
é preciso sentar-se
à mesa
com todos os rostos da alma.