(Prólogo — A Encruzilhada)
(som de tambor grave, respiração intensa)
À meia-noite…
os caminhos se cruzam.
O fogo dança no asfalto molhado.
O sangue pulsa mais forte.
O corpo vibra como tambor ritual.
E ao longe…
HA… HAHAHAHAHA!
Exú ri.
(Verso I)
Na encruzilhada eu tracei meu sigilo,
com desejo ardendo em fogo febril.
Velas negras queimando o passado,
o caos primordial foi invocado.
Exú girava sua capa na fumaça,
bebendo o medo que a mente disfarça.
Seu tridente riscava o chão,
abrindo fissuras na percepção.
Então ele gargalhou:
HAHAHAHAHAHA!
LAROYÊÊÊ!
E a realidade começou a tremer.
(Pré-Refrão)
Toda ordem apodrece.
Toda forma vai ruir.
Pois o caos é o ventre oculto
onde o impossível aprende a existir.
(Refrão Ritualístico)
OBLITERAR!
Exú abriu o portal.
OBLITERAR!
Queime o velho ritual.
OBLITERAR!
Dissolve nome e prisão.
OBLITERAR!
Rasgue o véu da percepção.
E no meio da fumaça e do fogo ancestral…
HAHAHAHAHAHA!
EXÚ RI NA ENCRUZILHADA!
(Verso II — Gnose Excitatória)
O tambor acelera dentro do peito.
A respiração rompe a contenção.
O corpo inteiro vira corrente
de êxtase, caos e combustão.
A mente perde suas fronteiras.
O sigilo pulsa como vulcão.
No ápice da força excitada
a consciência explode em expansão.
Gnose excitatória.
Êxtase ritual.
O desejo torna-se portal
para atravessar o abismo mental.
Exú dança entre gargalhadas,
alimentando o fogo interior.
HAHAHAHAHAHA!
Cada batida dissolve limites.
Cada arrepio desperta poder.
(Ponte Cerimonial)
Ria da culpa.
Ria do medo.
Ria das correntes criadas pelo segredo.
HA! HA! HA!
Ria da máscara social.
Ria do cárcere moral.
Porque a gargalhada de Exú
destrói o teatro artificial.
(Grande Refrão)
OBLITERAR!
Pelo tridente e pelo fogo.
OBLITERAR!
Que o iniciado morra de novo.
OBLITERAR!
Que o caos revele visão.
OBLITERAR!
Que o êxtase destrua a separação.
HAHAHAHAHAHA!
LAROYÊ EXÚ!
HAHAHAHAHAHA!
(Epílogo — Loop)
E quando o último tambor silenciar…
quando o suor esfriar sobre a pele…
quando o sigilo desaparecer na fumaça…
você ainda ouvirá…
uma gargalhada distante…
HA… HAHAHAHAHA…
À meia-noite…
os caminhos se cruzam.