(O PALCO DOS VÉUS)
[Prólogo]
Quando o primeiro sino rompe o silêncio,
o Templo desperta.
Não há espectadores...
somente consciências
vestindo infinitas máscaras.
[Verso I]
Nasci sem lembrar meu verdadeiro nome,
vesti um rosto para atravessar o Sol.
Escrevi destinos com mãos invisíveis,
bebi do esquecimento o antigo anzol.
Fui rei e mendigo na mesma estrada,
fui sacerdote, fui tentação.
Cada encontro abriu um espelho,
cada espelho revelou outro coração.
[Pré-Refrão]
Quem escreve...
também é escrito.
Quem observa...
também é observado.
No círculo eterno
ninguém permanece
no mesmo lado.
[Refrão]
Sou o ator e a plateia,
o herói e o dragão.
Sou o livro que me lê,
o mistério e a revelação.
Sou o escriba do destino,
o roteiro e a canção.
Cada máscara que retiro
é mais uma iniciação.
[Verso II]
O vilão guardava a chave dourada,
o mestre escondia o aprendiz.
A sombra velava a luz secreta,
a dor preparava a cicatriz.
No grande teatro das estrelas,
o tempo dissolve qualquer papel.
Quem julgava tornou-se julgado,
quem buscava encontrou o Céu.
[Ponte Ritual]
Queime os nomes.
Silencie a voz.
Atravesse o Véu.
Não existe outro...
apenas reflexos
dançando no mesmo Anel.
Cada queda é um símbolo.
Cada vitória é um portal.
Todo fim desenha
um novo espiral.
[Grande Refrão]
Sou o fogo que inicia,
a cinza que renasceu.
Sou o caminho que percorro,
o buscador... e o Eu.
Autor da própria jornada,
testemunha da criação.
Quando desperto do sonho,
o palco torna-se o coração.
[Epílogo]
E quando a última cortina cair...
não haverá aplausos.
Apenas o silêncio
revelando aquilo
que sempre esteve oculto:
o Autor,
o Personagem,
o Espectador...
eram uma única Consciência
recordando a si mesma.