[Intro – guitarra lenta, notas espaçadas, clima vazio]
Tem noites…
que o silêncio pesa mais que o mundo.
[Verso 1]
Eu andava na corda bamba da existência
Sem saber se era vida ou desistência
O mundo cuspindo orgulho e ambição
E eu tentando salvar meu coração
Tanta humilhação jogada no chão
Gente fria vendendo a própria mão
Eu perguntava olhando pro céu:
“Por que o bem parece tão cruel?”
[Verso 2]
Minha âncora sempre foi meu lar
O abraço que me fazia aguentar
Mas e se o vento leva o cais?
E se eu não tiver porto nunca mais?
Sou um homem tentando ser luz
Mas a escuridão sempre seduz
Será que pra continuar
Preciso aprender a machucar?
[Pré-Refrão – instrumental cresce]
O cansaço falava mais alto que eu
O espelho já não me reconheceu
Eu tava pronto pra soltar a mão…
da própria respiração
[Refrão – forte, sofrido mas não sombrio]
Na corda bamba entre o céu e o chão
Com o blues sangrando no violão
Eu gritei pro vazio ouvir minha voz
Se existe esperança… olha por nós
Eu não quero ser pedra no caminho
Nem me perder nesse espinho
Se o mundo é guerra e solidão
Ainda existe redenção?
[Verso 3 – mais íntimo]
Cantei com a alma rasgada ao meio
Cada acorde era meu último anseio
Não era fama, não era atenção
Era só pra aliviar o coração
Perdido num mapa que eu não desenhei
Vivendo batalhas que eu não escolhi
Mas no fundo, uma brasa ficou
Uma chama pequena que não apagou
[Ponte – instrumental para quase tudo, voz mais limpa]
E quando eu achei que era o fim
Uma luz se inclinou sobre mim
Não era grito, não era trovão
Era paz tocando minha mão
O caminho brilhou na escuridão
Não prometia ouro, nem perfeição
Mas prometia presença…
no meio da imensidão
[Refrão Final – mais alto, mais cheio]
Na corda bamba eu não caí
Porque uma mão me segurou ali
Se o mundo é frio e sem direção
Eu escolho fé no coração
O blues agora não é só dor
É ponte entre medo e amor
Se eu sobrevivi à escuridão
Posso cantar pra outro irmão
[Outro – longa, emocional, 40-50s instrumental]
Se você anda na corda também
Segura firme, você não tá sem
Mesmo quando tudo diz não
Ainda há luz na escuridão
Eu canto agora não pra morrer
Eu canto pra continuar a viver
Com Deus no peito e o blues na mão
Transformando dor em canção.
[Solo guitarra limpa e lenta]