[Intro – falado, baixo e rouco]
Era noite…
E o céu decidiu sentir o que eu sentia.
[Verso 1]
Telefone tocou rasgando a madrugada
Voz tremendo do outro lado da estrada
“Um carro perdido cruzou o sinal…”
E ali meu mundo teve seu final
Corri pro hospital, mas era tarde demais
Lençol branco onde antes havia paz
O cheiro de chuva já vinha no ar
Como se o céu começasse a chorar
[Refrão]
Eu gritei tão alto
Que o vento escutou
A dor virou raio
E o céu se quebrou
Quando o mundo me tirou tudo que eu amei
A tempestade me escolheu…
E eu mudei.
[Verso 2]
Saí pra rua com o peito em brasa
O céu virou guerra sobre a cidade emasa
O trovão respondeu minha maldição
E um clarão desceu direto no meu coração
O raio não matou… me acordou
Queimou minha pele, mas me transformou
Senti energia correndo nas veias
Como mil correntes quebrando cadeias
Caí de joelhos… depois me levantei
Quando abri os olhos, o medo eu não conheci mais
[Refrão – mais forte]
Eu gritei tão alto
Que a noite tremeu
A dor virou força
E o raio me escolheu
Se o céu precisava de alguém pra lutar
Eu virei trovão…
Pra fazer justiça no ar
[Verso 3 – descoberta dos poderes]
Aprendi a voar no meio da chuva
Cortando as nuvens como lâmina crua
Meu corpo brilhava em azul e branco
Meu nome ecoava em cada barranco
Eu caía como luz sobre o chão
O som que vinha era pura explosão
Predadores humanos começaram a temer
Porque agora alguém podia os deter
Não caçava por glória, nem por prazer
Caçava quem vivia de fazer sofrer
[Ponte – mais lenta, pesada]
O governo me chamou de ameaça
O jornal me chamou de maldição
Mas nenhum deles enterrou
Quem eu enterrei naquele chão
Tentaram me prender com aço e poder
Mas como se prende o que nasce pra chover?
Sou carne e energia na mesma canção
Metade homem… metade trovão
[Verso 4 – imortalidade e solidão]
Descobri que o tempo não me leva
A idade não marca minha pele na treva
Bala atravessa, mas a carne se refaz
A morte me evita… não fala comigo mais
Nas tempestades eu sinto paz
É o único lugar que ainda me traz
A voz da minha mãe no vento a soprar
Como se ela ainda pudesse me guiar
[Refrão – emocional]
Eu gritei tão alto
Que Deus respondeu
Não trouxe de volta
Mas me fortaleceu
Se o mundo é escuro e ninguém quer ver
Eu rasgo o céu…
Pra verdade descer
[Final – mais lento, quase sussurrado]
Se ouvir trovão numa noite qualquer
Não pense que é só clima no ar
Pode ser só um homem ferido
Que aprendeu a voar
Eu não sou herói
Nem vilão da nação
Sou só um filho da dor
Que virou trovão…
[Solo final com guitarra chorando como chuva caindo]