🎵 O Pão Que Foi Deitado Fora
Pai, lembras-Te do dia
No fim do trabalho cansado
Fui pedir o resto do peixe
O Teu pão, o pão sagrado
Mas o amigo dele, com raiva no olhar
Pegou no peixe, sem pensar
E riu-se forte na minha cara
Deitou fora o pão que nasce para dar
Meu coração ficou a sangrar
A mão queria tremer, queria falar
Mas graças a Ti, meu Pai do céu
Consegui virar costas e ir embora eu
Fiquei triste não por mim
Mas pelo pão lançado ao chão
Aquilo que nasce para as almas
Viverem com alegria e união
A raiva ardia dentro do peito
O silêncio pesava mais que o cansaço
Sentei-me numa mesa sozinho
Com uma cerveja nas mãos, passo a passo
Não podia ir assim para casa
Com o coração a bater em dor
Pareei ali para acalmar a alma
Para não deixar nascer o rancor
Tu viste tudo, Pai querido
O riso, a humilhação, o desprezo
Mas também viste a minha escolha
De não vender o coração ao veneno
Quem deita fora o pão que não é seu
Não sabe o peso do que fez
Eu fui embora triste, é verdade
Mas levei comigo a Tua luz outra vez
Porque quem guarda amor na ferida
Mesmo sangrando, fica de pé
O pão pode cair no chão do mundo
Mas no Teu céu, Pai, nada se perde, eu sei.