(CACURUCAIA)
(Canção de Candomblé — inspiração afro-brasileira)
[Intro — atabaques]
Ô, minha mãe,
a noite vai chamar...
No toque do couro,
o terreiro vai despertar.
[Verso I]
Pé descalço na terra,
corpo firme no chão,
o toque chama a força,
o axé move o coração.
A lua beija a folha,
o vento passa devagar,
no segredo da mata
há caminhos pra revelar.
[Coro]
Ô Cacurucaia,
gira, gira no terreiro!
Ô Cacurucaia,
traz o axé verdadeiro!
Atabaque chama,
o corpo sabe responder.
Quando o axé se levanta,
ninguém precisa esconder.
[Verso II]
No fogo há transformação,
na água há renovação,
na terra existe memória,
no vento, movimentação.
O sagrado não é espetáculo,
é fundamento e tradição.
É respeito aos mais velhos,
é comunidade e coração.
[Coro]
Ô Cacurucaia,
gira, gira no terreiro!
Ô Cacurucaia,
firma o axé verdadeiro!
Toque, canto, folha e dança,
cada gesto tem seu lugar.
Quando a roda se levanta,
o ancestral vem ensinar.
[Ponte]
Não canto para dominar,
não canto para possuir.
Canto para honrar a força
que ensina a resistir.
Axé na cabeça,
axé no coração.
Que a força dos ancestrais
fortaleça nossa união.
[Clímax — coro crescente]
Ê ô!
O couro chamou!
Ê ô!
O terreiro acordou!
Ê Cacurucaia!
Que o axé se levante!
Ê Cacurucaia!
Que a roda siga adiante!
[Outro]
Quando o último toque silenciar,
fica a força que aprendemos a guardar.
Na terra.
Na folha.
No corpo.
Na comunidade.
Axé.