(Guarde Seu Pranto)
(Umbanda • Afro • Ponto Moderno • Profundo)
[Intro]
Ê, malembe, malembe...
Nem todo ouvido é terreiro, não.
Nem toda mão estendida
sabe carregar o peso de um coração.
[Verso 1]
Eu já contei minha dor pro vento errado,
vi meu segredo virar poeira no chão.
Tem gente que escuta só por curiosidade,
mas não conhece a força da compaixão.
Nem todo mundo que pergunta "tá tudo bem?"
quer caminhar contigo na escuridão.
Alguns só passam, recolhem tua história
e deixam mais pesado teu coração.
[Pré-Refrão]
Aprendi com os velhos da mata,
com o silêncio da beira-mar.
Há feridas que pedem reza,
não qualquer boca pra escutar.
[Refrão]
Guarde seu pranto pra quem pode ajudar,
pra quem conhece a arte de curar.
Nem toda roda merece tua verdade,
nem toda alma sustenta tua tempestade.
Guarde seu pranto, proteja sua luz,
há dores que só se entregam aos pés de Jesus.
Ao Preto Velho, à Cabocla, ao Orixá,
que sabem ouvir sem te julgar.
[Verso 2]
Quando a noite pesou nos meus ombros,
foi no congá que encontrei direção.
A fumaça subiu levando os medos,
e a fé lavou meu coração.
Quem não atravessou seu próprio abismo
não sabe guiar ninguém pelo escuro.
Conselho vazio é folha seca,
voa bonito, mas não constrói futuro.
[Ponte]
Fale com quem soma caminho,
com quem transforma dor em ensinamento.
Quem carrega a paz nos olhos
e não espalha teu sofrimento.
Há palavras que são sementes,
há palavras que são facão.
Escolha bem onde derrama
o sangue vivo do coração.
[Refrão Final]
Guarde seu pranto pra quem pode ajudar,
pra quem veio ao mundo pra amparar.
Nem toda escuta é abrigo,
nem todo abraço é lugar seguro.
Guarde seu pranto, preserve seu axé,
há quem transforme tua dor em fé.
Se o mundo não souber te compreender,
Aruanda sempre vai te acolher.
[Final]
Ê, malembe, malembe...
Silêncio também é oração.
Há dores que não pedem plateia,
pedem cura, fé e proteção.
Ê, malembe, malembe...
Deixe o tambor testemunhar:
quem guarda sua alma com sabedoria
aprende, um dia, a se curar.