(SENHORA CACURUCAIA)
(Ponto de Umbanda — Pomba Gira)
(Atabaque grave • palmas • coro feminino ao fundo)
[Intro]
Na força da noite, eu ouvi chamar,
três vezes seu nome no vento do mar.
Não vim pedir licença, vim me encontrar,
na encruza da vida aprendi caminhar.
Cacurucaia chegou,
sua saia começou a girar.
Onde havia medo e silêncio,
ela fez o caminho se revelar.
[Verso I]
Ela conhece a estrada,
conhece a dor e a paixão.
Não promete vida fácil,
ensina força e decisão.
Se a porta estiver fechada,
ela manda eu observar:
nem todo fim é derrota,
às vezes é hora de mudar.
[Pré-Refrão]
Gira, gira, Pomba Gira,
faz a noite estremecer.
Quem encara a própria sombra
já não teme o próprio ser.
[Refrão]
Ê Cacurucaia!
Laroyê, Pomba Gira!
Ê Cacurucaia!
Na Umbanda ela gira!
Na esquerda há caminho,
na verdade há direção.
Ela não alimenta ilusão,
acende a consciência no coração.
[Verso II]
Vermelho dança na noite,
a lua observa do céu.
Seu perfume corta o vento,
seu mistério rasga o véu.
Não é dona do destino,
nem senhora da vontade.
É força dentro do terreiro,
trabalhando pela verdade.
[Ponte — Ritual]
Laroyê!
Que se abra o caminho.
Laroyê!
Que se firme o coração.
Laroyê!
Que caia o que é falso.
E permaneça somente
o que tem verdade e fundamento.
[Refrão Final]
Ê Cacurucaia!
Laroyê, Pomba Gira!
Ê Cacurucaia!
Quando ela chega, a gira vibra!
Gira a saia, gira a roda,
gira o mundo sem parar.
Quem conhece sua própria sombra
aprende também a se libertar.
[Outro]
Na pemba, no ponto,
na força do congá,
Cacurucaia trabalha,
mas quem caminha é você.
Laroyê, Pomba Gira.
Laroyê, Cacurucaia.
Que a noite traga consciência,
e a consciência abra a estrada.