Sou português a vida inteira
Não é papel, é sangue, é cicatriz
Cresci longe da minha bandeira
Mas nunca deixei de saber quem eu fiz
Vivi na Alemanha como emigrante
Com malas cheias de medo e esperança
Trabalhei calado, cabeça baixa
Aprendi cedo o peso da distância
Conheci gente honesta, de mão aberta
Portugueses de verdade, trabalhadores
Mas também vi a outra face da moeda
Gente perdida, cheia de rancores
Portugueses que fugiram de Portugal
Dizendo: “vou começar tudo de novo”
Mas trouxeram o crime na bagagem
E o ódio escondido no corpo todo
Famílias a mandar como patrões
A controlar com medo e ameaça
Usam o sangue como corrente
Prendem o futuro, matam a raça
Não vieram para construir nada
Vieram para mandar, roubar, explorar
Pisam o próprio irmão na estrada
E ainda se dizem exemplos de moral
Vi portugueses bons serem julgados
Pelos crimes de meia dúzia sem alma
Quem trabalha paga a conta inteira
Quem rouba vive solto, sem calma
A vergonha cai sobre quem é sério
Sobre quem acorda cedo pra lutar
Enquanto o bandido grita mais alto
E usa Portugal para se camuflar
Ser emigrante não é ser criminoso
Ser pobre não é desculpa pra maldade
Ser português é olhar nos olhos
E viver com honra e dignidade
Portugal não é fachada de crime
Nem desculpa pra viver na escuridão
A nossa bandeira não tapa pecados
Nem limpa mãos cheias de corrupção
Eu vi mães a chorar em silêncio
Por filhos perdidos nesse caminho
Vi homens bons a perder tudo
Por confiar no próprio vizinho
Eu vi o medo entrar nas casas
Onde só devia entrar pão
Vi crianças crescerem duras
Aprendendo cedo o peso da traição
Mas eu continuo de pé, firme
Mesmo longe da minha nação
Carrego Portugal no trabalho
Não na boca cheia de ilusão
Sou português de verdade
Não por falar, mas por fazer
Com suor, dor e verdade
Com respeito até morrer
Quem faz merda que pague sozinho
Não arraste um povo inteiro ao chão
Porque Portugal é maior que essa lama
É luta, saudade e coração
E um dia volto de cabeça erguida
Sem vergonha, sem medo nenhum
Porque não foi o crime que me fez homem
Foi o trabalho… e o amor comum