(Verso 1)
Abri o mapa e não vi estradas
Só quilômetros de poeira e madrugadas
Eu caminhei por cidades sem nome
Buscando algo que matasse a minha fome
Mas o mundo era um vidro, eu do lado de fora
Batendo na porta, pedindo um "agora"
Mas o relógio parou, o ponteiro entortou
E o sol era apenas um borrão que não esquentou.
(Pré-Refrão)
Eu desaprendi o alfabeto do afeto
Vivia no escuro, mesmo sob o teto
O vazio era um bicho que me consumia
E o amanhã era o eco de uma mesma agonia.
(Refrão)
Eu fui sombra, eu fui vácuo, eu fui nada
Perdido no meio de uma estrada errada
Onde o dia era o espelho do dia anterior
Um looping eterno, um silêncio sem cor
Mas o vazio cansou de morar em mim
E eu descobri que o abismo tem fim.
(Verso 2)
Tentei me encaixar em molduras estreitas
Em vidas perfeitas, em rotas direitas
Mas eu era a peça de um outro quebra-cabeça
Aquele que espera que a alma floresça
Onde o "tanto faz" virou "finalmente"
E o peso do mundo saiu da minha mente
Não precisei mais de um lugar pra pertencer
Aprendi que o abrigo é, enfim, ser.
(Ponte)
Lembrei como se ama, devagar, sem pressa
Um passo de cada vez, cumprindo a promessa
De não me deixar mais no banco de trás
De encontrar no meu peito a minha própria paz.
(Refrão Final)
Eu não sou mais a sombra, eu não sou mais o nada
Encontrei o caminho na volta pra casa
Onde o dia não é mais o que passou
A luz acendeu e o tempo destravou
O vazio partiu, levou a dor junto com ele
E eu finalmente sou o dono da minha pele.
(Outro)
O mundo é grande...
Mas eu já não me perco mais nele.
Eu me achei.
Eu me achei.