O Peso do Espaço(Verso 1)Caminho numa linha que ninguém consegue verEntre dois abismos, sem saber o que escolherÀ minha esquerda, o porto seguro, a calmariaO abraço que me acorda e me guia no dia a diaÀ minha direita, a tempestade, o fogo ardenteO toque que me despe e me deixa inconscienteEstou no centro do mundo, mas sinto-me sem chãoDividido ao meio, com metade em cada mão.(Verso 2)Não foi por mal, juro que não planeeiO coração é cego e nas regras eu tropeceiUma dá-me a paz que eu sempre procureiA outra dá-me a sede que eu nunca sacieiE no meio de tudo, o silêncio que corróiAmar duas pessoas é o erro que mais dói.(Refrão)E existe um espaço entre elas que ninguém pode tocarUm deserto de segredos onde eu me vou afogarÉ o peso do tabu, a parede invisívelOnde o que eu sinto é visto como impossívelJulguem-me os santos, condene-me o tribunalMas este espaço entre elas é o meu bem e o meu malO tabu prende-me as pernas, a culpa prende-me a vozE eu morro um pouco a pensar em nós... e em nós.(Verso 3)Quando estou com uma, a ausência da outra gritaA minha mente viaja, a minha alma fica aflitaOlho nos olhos do afeto e vejo a traiçãoOlho nos olhos do desejo e sinto a condenaçãoO mundo diz que é egoísmo, que é falta de caráterMas quem me dera que o peito parasse de baterPara não ter de escolher, para não ter de mentirPara não ver o castelo de cartas a cair.(Verso 4)O tabu é um monstro que se alimenta do medoDiz que o meu amor é um crime, um segredoQue duas vidas não cabem no mesmo coraçãoE que a minha verdade é apenas uma ilusãoEscondo os telefones, apago as mensagens no arMas como é que eu apago o que o peito quer gritar?Estou preso na berma desta estrada proibidaCom duas chaves certas para a mesma saída.(Ponte)Se o mundo fosse largo e sem tanta doutrinaTalvez este amor não fosse a minha ruínaMas a sociedade dita o tamanho do afetoE eu vivo desalojado, com dois mundos sob o mesmo tetoUma tem o meu passado e o futuro desenhadoA outra tem o meu presente, num quarto trancadoE o espaço entre elas é uma corda no meu pescoçoOnde cada passo em frente é um osso que cansa, um osso que quebro.(Refrão)E existe um espaço entre elas que ninguém pode tocarUm deserto de segredos onde eu me vou afogarÉ o peso do tabu, a parede invisívelOnde o que eu sinto é visto como impossívelJulguem-me os santos, condene-me o tribunalMas este espaço entre elas é o meu bem e o meu malO tabu prende-me as pernas, a culpa prende-me a vozE eu morro um pouco a pensar em nós... e em nós.(Outro/Final)O dia vai amanhecer e a escolha vai chegarO espaço vai fechar-se e alguém vai chorarO tabu vence sempre, a moral dita o fimMas enquanto o teto não cai sobre mim...Eu sigo aqui.No meio.No espaço.No tabu.Vou continuar a caminhar nesta corda bamba, no escuroOlhando para o passado e pensando no futuroUma não sabe da outra, ou fingem não saberE eu finjo que controlo o que está prestes a morrerO espaço é largo.O tabu é eterno.E eu estou preso aqui...Entre o meu céu e o meu inferno silêncio A. D. N