Verso 1: O Diagnóstico do Invisível do silêncio A....D....N Entro na sala, fecho a porta, desliga o ruído lá fora.O que tu trazes no peito não se resolve numa hora.Dizem que o tempo cura, mas o tempo só acumula,Se tu guardas o trauma numa cave escura.Eu não dou receitas que te prendam a uma cama,Eu decifro os teus escombros quando a tua alma inflama.Chamam-me psicólogo, mas eu sou um mergulhador,Alguém que desce ao fundo para puxar a tua dor.Tu chegas com pressa, queres uma resposta exata,Mas a mente é um labirinto e o silêncio mata.Eu vejo o teu corpo tenso, o teu olhar perdido,A tentar dar um nexo ao que parece esquecido.Não estou aqui para julgar o teu erro ou o teu ganho,Estou aqui para mapear esse vazio tamanho.Refrão: O Silêncio ADN Isto é o silêncio do teu ADN, a herança que ninguém vê,O grito que o teu avô guardou e que hoje vive em ti.A dor que viaja no sangue, que molda a tua estrutura,Eu quebro essa corrente, eu trago a linha pura.Não és o teu sintoma, és uma história por contar,E no silêncio desse código, eu ajudo-te a respirar.Verso 2: A Ciência do Labirinto Eles pensam que é conversa, que é só ouvir desabafos,Mas eu sinto o peso do mundo nestes meus braços.É neurociência misturada com a tua verdade,É reconstruir a tua identidade na ansiedade.Tu falas de ontem, eu vejo a tua infância a gritar,Tu falas de medo, eu vejo o teu peito a quebrar.O silêncio do teu ADN é o trauma geracional,A corda que te puxa para o abismo mental.Eu leio os teus gestos, a tua pausa, o teu suspiro,No meio do teu caos, eu sou o porto onde me inspiro.Não te dou a solução, eu dou-te a ferramenta,Para tu limpares a casa quando a tempestade aumenta.O divã não é castigo, o divã é o teu espelho,Onde tu assumes o controlo e perdes o medo do velho.Ponte: A Desconstrução Olha para dentro, sem medo do que vais achar.O código genético pode prender, mas a mente pode libertar.Eu sou a ponte entre o teu monstro e a tua paz,Vê bem do que a tua cura é capaz.Verso 3: A Libertação do Código São anos de terapia concentrados num momento,Quando tu finalmente choras e libertas o tormento.Eu vejo a biologia a mudar na tua expressão,O cérebro a criar uma nova ligação.A minha função é essa: ser o teu farol na neblina,Mostrar que a tua essência não se dita numa rotina.Rasgámos o guião que os teus pais te escreveram,Curámos as feridas que os teus medos alimentaram.Termina a sessão, tu levantas-te mais leve,O caminho é longo, mas o teu foco já se atreve.Eu fico na sala, a preparar o próximo combate,Porque enquanto houver silêncio, o meu peito bate.
A....g....o....r....a s.....i.....m. ficaram a saber o meu trabalho dia a pós dia silêncio