Silêncio verdade Lisboa
Vento frio a passar pelos becos, sirene da polícia ao longe e o estalar de vidros partidos sob os sapatos. Uma voz sussurrada e grave entra antes do beat)Desliga as luzes do turismo. Rasga o postal da cidade.O que tu vais ouvir não passa na televisão.É o que o silêncio ADN vê quando o sol se esconde.A verdade nua e crua. Escuta.(Verso 1 - O Cenário do Medo)Caminho no empedrado húmido, o ar cheira a perigo,Na noite de Lisboa onde o desconhecido não é teu amigo.O terror que existe nas ruas de Lisboa sente-se na pele,Onde a ilusão da noite se transforma num autêntico inferno de Dante.Atrás dos monumentos iluminados e das esplanadas da moda,Há um submundo violento que dita as regras e que tudo incomoda.Uma matança silenciosa que acontece à facada por um telemóvel,Onde a vida humana perdeu o valor e virou um alvo móvel.O silêncio ADN observa o sangue que escorre para as sarjetas,Grava nas paredes a dor de quem caiu às mãos de almas pretas.Olhares cruzados no Martim Moniz ou no Intendente de madrugada,Um passo em falso e a tua história fica na calçada terminada.(Refrão)É o terror que existe nas ruas de Lisboa, ninguém te vai salvar,A noite cobra o preço mais alto a quem decidir arriscar.Entre a matança no beco e os roubos no autocarro da meia-noite,O álcool afoga as mágoas enquanto a miséria nos dá com o açoite.Substâncias na mente para fugir de uma realidade que deprime,E o sexo sem amor na esquina fria, como mais um crime.O silêncio ADN vê tudo, guarda o segredo e não diz nada,É a testemunha invisível desta vida fraturada.(Verso 2 - A Fuga nas Substâncias e na Noite)Ouve o grito na paragem, mais um arrastão sem piedade,Os roubos multiplicam-se na cara dura desta cidade.Jovens sem perspetiva de futuro, armados e sem rumo no asfalto,Que fazem da vida dos outros o seu sustento no próximo assalto.O bafo a álcool barato domina os bares da noite mais escura,Gente que bebe até cair para anestesiar a própria amargura.Garrafas partidas na rua, copos cheios de frustração e rancor,Onde a bebida liberta a violência e apaga qualquer réstia de amor.E nas sombras da noite vendem-se as substâncias que destroem a mente,Pó, pedras e comprimidos que transformam o homem num bicho dormente.Olhos escovados, mentes queimadas à procura da próxima dose,Uma juventude inteira perdida no meio desta neurose.Nas esquinas da Baixa ou nos bairros da periferia esquecida,O sexo virou comércio barato para conseguir a sobrevivência da vida.Corpos negociados por dez euros na berma de uma estrada qualquer,A dignidade pisada e arrancada de um homem ou de uma mulher.(Verso 3 - A Realidade do Silêncio ADN)O que é o silêncio ADN? É a memória que o sangue não esquece,É o trauma dos nossos pais que na nossa carne arrefece e cresce.O silêncio vê o ciclo da pobreza a repetir-se no mesmo quarteirão,Onde o filho do toxicodependente herda a mesma cela da prisão.Vê a negligência do sistema que finge que este inferno não existe,Enquanto Lisboa sangra por dentro em silêncio.