(Ópera Sombria Cosmogônica)
(Intro — O Vazio Primordial)
Antes dos deuses…
antes das estrelas…
antes do tempo respirar…
havia o Caos.
Não o caos dos homens,
mas o ventre infinito do impossível.
Sem forma.
Sem ordem.
Sem nome.
Silêncio absoluto.
Escuridão sem margem.
E do abismo primordial…
algo começou a pulsar.
(Verso I — Nascimento de Nix e Érebo)
Do Caos nasceu Nix,
a Rainha das Noites Eternas.
Coberta por mantos de sombra,
com galáxias adormecidas nos olhos.
Ao seu lado surgiu Érebo,
o senhor do vazio profundo,
o eco escuro entre mundos,
o sopro oculto do abismo.
Eles dançaram no centro do nada,
e a escuridão tornou-se sagrada.
Pois antes da luz existir…
a noite já sonhava.
(Pré-Refrão)
No ventre das trevas
o universo foi gerado.
A escuridão não era maldição…
era o primeiro estado.
(Refrão)
Primeiro veio o Caos.
Depois o silêncio e a escuridão.
Das sombras nasceram os céus,
e da noite surgiu a criação.
Nix abriu suas asas.
Érebo beijou o infinito.
E das profundezas do vazio
nasceu o primeiro brilho.
(Verso II — O Nascimento da Luz)
Então Nix e Érebo uniram-se
sob o manto do invisível.
E desse encontro impossível
nasceram Éter e Hemera.
Éter, o sopro luminoso dos deuses,
a luz superior além das estrelas.
Hemera, o espírito do dia,
a aurora rasgando o véu da noite.
E pela primeira vez
o universo viu a si mesmo.
(Ponte Ritualística)
A luz não nasceu sozinha.
Ela veio do útero da escuridão.
Toda estrela
já foi sombra.
Todo sol
já dormiu no abismo.
(Refrão Final)
Primeiro veio o Caos…
o oceano sem direção.
Depois vieram as trevas,
guardando a gestação.
Então a luz atravessou o vazio
como fogo celestial.
Pois até o brilho mais divino
nasce do escuro primordial.
(Outro — Sussurrado)
Não temas a noite…
Foi dela
que nasceram os deuses.