céu — sem tirar a tua verdade. 🌿
Lê devagar. Isto é oração em forma de canção.
Sala da Verdade (Versão Aumentada)
Deus meu Pai, ainda me lembro
Da sala da verdade, fechada por dentro
Éramos três, Pai
Três corpos, mas só duas almas limpas
A alma santa que Tu me deste
Deu-me a mão sem medo
Como quem diz sem falar:
“Não estás sozinho”
Mas o ar pesava
E os gritos dele cortavam
Não eram palavras, Pai
Eram pedras lançadas da raiva
Deus meu Pai, eu parei à frente dele
Não para ferir
Mas para ficar de pé
A voz saiu alta, mas o coração ficou calmo
Minhas palavras foram simples e verdadeiras:
Ou ele, ou eu.
Porque a dignidade não se divide
E o amor não aceita chantagem
Pai, guarda essa alma no teu céu
Guarda com cuidado
Porque é alma boa
É alma que brilha mesmo ferida
Essa alma não pediu poder
Não pediu lugar de cima
Só queria trabalhar em paz
E respirar sem medo
Mas as palavras do homem do poder, Pai…
Ainda ecoam dentro de mim:
“Tu querias um homem? Tens aqui.
E se tu queres ir, podes ir.
Não tenho problema com isso.
Ele fica.”
Pai…
Ali eu vi tudo
Não era escolha
Era expulsão disfarçada
O triste, Pai
Não foi o que ele disse
Foi o que ele queria
Que uma alma boa fosse embora
Deus meu Pai,
O homem do poder não tem coração
Não, Pai
Tem um buraco cheio de raiva
Ele não suporta luz
Porque a luz mostra o vazio
Ele grita porque tem medo
De quem fica de pé sem gritar
Mas o céu estava lá
O céu não se moveu
O céu anotou tudo
Mesmo em silêncio
Eu tremia por dentro
Não de medo
Mas de tristeza
Por ver um homem perder a alma
Pai, ensina o mundo
Que poder sem amor é prisão
Que mandar sem justiça é veneno
E que humilhar não é mandar
A alma que Tu me deste, Pai
Essa ficou inteira
Mesmo com dor
Mesmo com vontade de chorar
E eu fiquei de pé
Não por orgulho
Mas porque Tu estavas comigo
Naquela sala da verdade
O céu viu
O céu ouviu
O céu não dorme
E quem tenta mandar sem coração
Um dia
Vai ouvir o silêncio pesar
Mais do que todos os gritos