: Soldado de Papelão (Versão Estendida)
(Verso 1)
O mapa tá aberto em cima da mesa
Mas eu não sei pra onde aponta o norte
Me deram um fuzil, me deram uma certeza
E me disseram: "conta com a sorte"
Eu nunca aprendi a amarrar o coturno
O nó tá frouxo, a alma tá em jejum
No meio do barulho, no silêncio noturno
Eu sou só mais um, sem saber de nenhum.
(Verso 2 - Novo)
O horizonte agora é uma linha de fogo
Onde o céu e a terra decidiram queimar
Crianças sem nome, o fim desse jogo
Corpos empilhados pra gente passar
O cheiro de enxofre se mistura ao ferro
O sangue no barro não escolhe lado
Onde era cidade, sobrou só o enterro
De um mundo inteiro que foi retalhado.
(Refrão)
E eu sou tão inepto, tão fora do lugar
Um erro de cálculo na hora de marchar
O canhão faz a terra tremer o chão
E eu só queria segurar a sua mão
Batalhas de ferro pra homens de argila
Eu sou o último a entender a fila.
(Verso 3 - Novo)
A morte não é cega, ela tem precisão
Diferente de mim, que não sei mirar
Ela ceifa mil vidas numa explosão
Enquanto eu mal consigo me levantar
Vi o capitão virar sombra no muro
Vi o recruta perder o olhar
O aço é rápido, o futuro é escuro
E a vala comum não para de inchar.
(Verso 4)
Dizem que a glória espera no final do campo
Mas só vejo poeira e o céu cinzento
Meu dedo treme no gatilho, eu me espanto
Com o peso do metal e o frio do vento
Não sei a estratégia, não li o manual
Minha única tática é tentar respirar
Nesse tabuleiro de xadrez brutal
Eu sou o peão que esqueceu como andar.
(Ponte)
F = m \cdot a
A física explica o impacto do metal
O estilhaço rasgando o plano visceral
Mas nada explica esse vazio abissal
De ser um amador num massacre total.
(Grand Finale - Novo)
O silêncio que vem depois do trovão
É o grito mudo de quem ficou no chão
A bota esmaga o que restou da flor
Eu sou o fracasso, a guerra é o horror
Cinzas no vento, carne no pó
Nesse xadrez, ninguém fica só...
Fica a terra, fica o nada, fica o nó.
(Outro)
A marcha continua, o tambor bate seco
E eu sigo o rastro, meio cego, meio eco...
Inepto...
Cercado de mortos, rezando pro medo.