O Banquete das Sombras
(Intro: Som de vento uivante, uma batida lenta e pesada de bumbo, e o tilintar de correntes)
(Verso 1)
O céu sangrou um vermelho que ninguém explicou
O sol se escondeu quando o abismo acordou
Não houve trombeta, nem aviso, nem sinal
Apenas o estalar do casco no asfalto frio da capital
Ele subiu a ladeira com um terno de linho fino
Trazendo no bolso o selo do destino
Onde ele pisa, a grama seca e o ferro enferruja
A alma mais limpa, num sopro, se torna suja.
(Refrão)
Abram as portas, que o mestre chegou pra jantar
Ele não quer ouro, ele não veio pra conversar
O cheiro de enxofre se mistura ao medo no ar
O Diabo desceu na terra... e veio te buscar.
É hora da colheita, o ceifador quer o seu quinhão
Pecado por pecado, na palma da mão.
(Verso 2)
Ele parou na esquina onde a ganância mora
Sorriu para o juiz que vende a lei por hora
Tocou no ombro do falso profeta no altar
"Vim cobrar o dízimo que você não quis pagar"
Não adianta reza, nem choro, nem confissão
O contrato foi assinado na escuridão
Ele consome o luxo, a luxúria e a vaidade
Deixando apenas o vácuo de uma falsa santidade.
(Ponte)
(Ritmo acelera, guitarras distorcidas entram em cena)
Ele não é um monstro sob a cama, nem um mito de papel
Ele é o espelho do que vocês fizeram sob o céu!
A terra está quente, o banquete está posto
Ele vê o seu reflexo estampado no seu rosto!
(Solo de Guitarra - Agudo e frenético)
(Verso 3)
As cidades queimam sem precisar de fósforo ou chama
É o peso da culpa que se arrasta na lama
Ele recolhe as promessas que ninguém cumpriu
E preenche o vazio que o homem permitiu
Um por um, na fila do grande acerto
Onde o certo é o errado, e o fim é o deserto.
(Refrão Final)
Abram as portas, que o mestre chegou pra jantar
Ele não quer ouro, ele não veio pra conversar
O cheiro de enxofre se mistura ao medo no ar
O Diabo desceu na terra... e veio te buscar.
É hora da colheita, o ceifador quer o seu quinhão
Pecado por pecado... direto pro chão.
(Outro)
(A música desacelera voltando apenas para a batida do bumbo)
O silêncio é absoluto.
Só se ouve o riso baixo.
A noite não vai acabar.
Ele ainda está... com fome.