Alma, Respeito e Verdade
Pai, ainda me lembro
Quando uma alma santa me deu o aparelho pra conduzir
Chegou perto de mim e disse:
“Está aqui. Este é teu, teu pai.”
Mas assim que essa alma me foi tirada
A verdade começou a doer
Mesmo sem o aparelho
A alma não me deixou
Ficou comigo no coração, a guiar-me em silêncio
Pai, ele fez com que todos andassem nele
E isso, pai, não foi o maior problema
O problema era o descuido
Tudo sempre sujo, sempre pesado
Eu cheguei com respeito
Falei calmo, de frente, como irmão:
“Epa, isto não pode continuar assim
Tem de ficar limpo, tem de haver cuidado”
Mas pai, as palavras dele não eram limpas
Disse-me:
“Estás aqui para isso”
Ele foi alegria para muitos
E muitos riam
Mas pai… riam de mim
Ali, pai, morreu o respeito
O que era sagrado virou brincadeira
União nunca houve
Porque ele nunca quis união
Só me envergonhar diante dos outros
Quando decidi ficar
E não ir embora
Foi porque falar já não adiantava
A palavra já não tinha lugar
O mal já estava do lado dele
E eu fiquei
Não por fraqueza
Mas por consciência
Pai, quem anda na verdade
Pode até sangrar
Mas não perde a alma
Nem trai o coração