Ummm… ummm… ummm…
Tô cá fora a ver o sol a nascer,
café quente na mão, pensamento a correr.
O dia começa bonito no céu,
mas na terra a vida não tá mel.
Quem será o pobre hoje,
perdido no meio da confusão?
No meio de tanto patrão duro,
sem coração, sem mão.
Trabalha sem parar, sem falar,
suar pra ganhar pouco pão.
Prometeram vida melhor,
mas só deram pressão.
Tem chefe racista a gritar,
a chamar isso trabalho normal.
O pobre baixa a cabeça,
pra não perder o salário mensal.
No meio dos ingratos frios,
leva dor no peito calado.
Se reclama vira problema,
se fica quieto sai machucado.
Pedem pra ser forte todo dia,
pedem sorriso falso também.
Mas ninguém pergunta ao pobre
se ele tá bem.
O sol nasce igual pra todos,
mas não entra em todo lugar.
Tem sombra dentro do serviço,
onde a dignidade não quer ficar.
Ummm… ummm… ummm…
O café acaba, o dia começa,
mas fica a pergunta no ar:
até quando o pobre vai aguentar
sem respeito pra trabalhar?
O sol subiu lá no céu,
eu vi, eu senti.
Agora falta o mundo aprender
a deixar o pobre viver feliz.