[INTRO – falado, suave]
No tambor mora o tempo.
Na água mora o caminho.
Na mata mora o remédio.
E no fogo… o destino.
[VERSO 1]
Quando a noite fecha o olho, a estrela vira guia,
Eu sinto um vento antigo costurando a alegria.
É a mãe do mundo em múltiplas formas de poder,
Cada uma com seu brilho, pra quem sabe se render.
Dourado no horizonte, espuma virando mar,
Riso que cura fundo, sem pedir pra explicar.
E eu aprendo: força não é só brigar…
É saber quando fica, quando vai, quando vai amar.
[PRÉ-REFRÃO]
Sete chaves no peito, sete passos no chão,
O corpo vira terreiro, a alma vira canção.
Se eu cair, me levantam — sem fazer alarde:
Porque mãe de verdade é vento, rio e arte.
[REFRÃO]
Yabás, coroem meu coração,
Dançam comigo na mesma pulsação.
Na água, no fogo, na mata, no ar,
Vocês são caminho — eu vou atravessar.
Yabás, rainhas do meu axé,
Me ensinam a ser grande, sem perder a fé.
Se a vida é luta, vocês são o “por quê”:
Eu sigo, eu brilho, eu não vou me esconder.
[VERSO 2]
Tem mar que é abraço e também é tempestade,
Tem rio que é resposta correndo na cidade.
Tem caça que é silêncio, tem folha que é oração,
Tem raio que acorda o medo dentro do trovão.
Tem mãe que é justiça, corte limpo no nó,
Tem mãe que é estrada, que carrega o pó.
E eu, que era pressa, desaprendo a correr:
Porque existir com sentido é um jeito de vencer.
[PONTE – mais intenso, percussão sobe]
Eu peço clareza quando o mundo vira neblina,
Peço firmeza quando a dúvida me domina.
Que eu honre meus ciclos, meu sangue, minha história,
Que eu seja ponte viva, não só busca de vitória.
E se alguém me perguntar “quem te fez ficar de pé?”
Eu digo: foi o amor com coragem… foi axé.
[REFRÃO – repetição com variação]
Yabás, coroem meu coração,
Dançam comigo na mesma pulsação.
Na água, no fogo, na mata, no ar,
Vocês são caminho — eu vou atravessar.
Yabás, rainhas do meu axé,
Me ensinam a ser grande, sem perder a fé.
Se a vida é luta, vocês são o “por quê”:
Eu sigo, eu brilho, eu não vou me esconder.
[OUTRO – falado/cantado, baixinho]
Mãe do mar… mãe do rio…
Mãe do vento… mãe da mata…
Mãe do fogo… mãe do tempo…
Mães que me lembram:
eu também sou sagrado.