O Céu Viu Tudo
Deus meu Pai, ainda me lembro
Quando chegou o empilhador pra virar o lixo
Era peso que antes rasgava as mãos
Era dor que entrava pelos ossos
E ali, de repente, tudo ficou mais leve.
Mas a alma escura não suportou a luz.
Suas palavras vieram como faca:
“Eu tive tantos anos a virar tudo à mão,
E tu vens agora e já tens tudo automático?”
Pai… não era máquina que doía nele,
Era ver que o tempo podia mudar.
Era ver que o sofrimento não era eterno.
Deus meu Pai, pouco depois
Mandou desmontar tudo…
Dizendo que precisava do empilhador,
Que só ele cabia naquela peça,
Que era o único que servia ali.
Mas o céu viu tudo.
O céu estava lá.
Não era sobre peça nenhuma.
Era sobre orgulho ferido.
Era sobre medo de perder poder.
Eu fiquei calado, Pai,
Mas dentro de mim a verdade gritava:
Quem luta contra o bem
Luta contra o próprio crescimento.
O empilhador podia ir embora,
Mas a justiça não desmonta.
O céu não esquece.
O céu anota.
E naquele silêncio pesado
Eu senti tua voz suave dizer:
“Filho, deixa.
O que é tirado por inveja
Volta multiplicado por justiça.”
Deus meu Pai, eu ainda me lembro…
Mas hoje não dói igual.
Porque sei que quem age na sombra
Não suporta a luz por muito tempo.
E o céu viu tudo.
Estava lá.
Sempre esteve. 🌤️