Sou filho dos ventos da Serra e da Fronteira,
Do mate amargo e da flor missioneira.
Nasci cavalgando na sombra dos pagos,
Sou neto dos bravos, herdeiro dos farrapos.
No olhar carrego o sol da querência,
E a voz que ecoa tem alma e cadência.
É canto que nasce do campo molhado,
De um povo que luta e não se entrega ao fado.
Orgulho farrapo, corre em meu peito,
Sou pampa, sou chão, sou meu próprio jeito.
Do lombo do pingo levanto a bandeira,
Do Rio Grande grande — minha alma inteira.
Quando o fogo acende no rancho da vida,
A prosa é lembrança, a trova é sentida.
E o toque do violão faz ecoar na campina,
A força dos meus que cruzaram a sina.
Orgulho farrapo, corre em meu peito,
Sou pampa, sou chão, sou meu próprio jeito.
Do lombo do pingo levanto a bandeira,
Do Rio Grande grande — minha alma inteira.
E se um dia eu partir desse chão amigo,
Levo o pago comigo, levo o mate e o abrigo.
Pois ser gaúcho é viver com verdade,
E amar esta terra por toda a eternidade.