SOLVE ET COAGULA
(Liturgia da Dissolução e do Renascimento)
(Prelúdio — O Verbo Hermético)
Dissolve.
Quebra o nome.
Queima a máscara.
Desfaz aquilo que nunca foi real.
E então…
reconstrói.
Pois o universo inteiro
respira entre destruição e criação.
Solve…
et coagula.
(Verso I)
O fogo começou dentro do templo.
Silencioso. Invisível. Fatal.
Consumindo crenças antigas
como pergaminhos em ritual.
As paredes do ego racharam.
Os espelhos perderam a forma.
E tudo aquilo que eu chamava “eu”
retornou ao caos que transforma.
Kali sorria entre cinzas negras.
Shiva dançava sobre o chão.
O velho rei era dissolvido
na putrefação da iniciação.
(Pré-Refrão)
Para nascer Sol…
o ouro precisa derreter.
Para tornar-se inteiro…
algo precisa morrer.
(Refrão)
Solve et coagula.
Desfaz para recriar.
Desce ao abismo da alma
para o espírito despertar.
Solve et coagula.
O caos também é luz.
Pois aquilo que se dissolve
revela aquilo que conduz.
(Verso II)
Desci aos corredores da sombra,
onde o medo aprende a falar.
Vi desejos aprisionados
esperando para respirar.
A serpente ergueu seus olhos
no centro da escuridão.
Não como inimiga da alma…
mas guardiã da transformação.
Então compreendi o segredo:
o monstro rejeitado no porão
é o dragão que protege o ouro
da verdadeira transmutação.
(Ponte Ritualística)
Dissolve o orgulho.
Dissolve a ilusão.
Dissolve o personagem
criado pela separação.
E quando nada restar…
escuta.
O silêncio também possui uma voz.
(Grande Refrão)
Solve et coagula.
Morre para renascer.
O universo destrói estrelas
para novos sóis acender.
Solve et coagula.
A Grande Obra começou.
E no centro do caos interno
o verdadeiro Eu despertou.
(Epílogo — Circular)
Toda criação exige ruína.
Toda aurora exige o fim da noite.
Toda consciência nasce
após atravessar dissolução.
Então dissolve novamente…
O fogo começou dentro do templo.
Silencioso. Invisível. Fatal.