(EU DOU O PASSO — EXU DÁ O CAMINHO)
(Introdução — maracá, couro, vento da mata)
Na boca da mata eu parei,
ouvi o silêncio chamar.
A Jurema abriu seus segredos,
mas não veio me carregar.
Pé no chão.
Olho aberto.
Coração sem temor.
Eu não peço que andem por mim.
Eu caminho.
Eu dou o passo.
E Exu dá o caminho.
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(Verso I)
Tenho poeira nos pés,
tenho fogo no olhar.
Trago perguntas no peito
que ninguém pode responder.
A estrada se divide em sete,
cada vereda tem seu mistério.
Quem teme a própria escolha
fica perdido no meio do caminho.
Eu entro na mata,
a mata entra em mim.
Escuto o Mestre no silêncio:
“Filho, não existe chegada
para quem não ousa partir.”
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(Pré-Refrão — crescendo)
Se a porteira está fechada,
eu não volto para trás.
Eu bato.
Se não abrir,
eu procuro outra passagem.
Porque caminho não é promessa.
É movimento.
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(Refrão — forte, tribal, trance)
EU DOU O PASSO!
EXU DÁ O CAMINHO!
Eu firmo meu pé na terra,
não caminho sozinho.
EU DOU O PASSO!
EXU ABRE A PASSAGEM!
Na força da Jurema,
eu atravesso a viagem.
Eu dou o passo!
Eu assumo meu destino!
Exu guarda a encruzilhada,
mas quem caminha sou eu.
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(Verso II)
Fumaça sobe lentamente,
desenha sinais pelo ar.
O maracá chama a mata,
e a mata começa a falar.
Não procure o sagrado
somente onde o céu toca o chão.
Ele está na estrada,
na queda,
na escolha,
na contramão.
Tem Mestre na porteira.
Tem Mestra na direção.
Tem segredo na folha
e ciência no coração.
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(Ponte — voz grave, quase falada)
Não confunda caminho
com destino.
Destino não é prisão.
Caminho é escolha.
Encruzilhada é consciência.
E toda escolha cobra presença.
Você vai?
(silêncio)
Eu vou.
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(Grande Refrão)
EU DOU O PASSO!
EXU DÁ O CAMINHO!
Se a noite fecha os olhos,
eu acendo meu caminho.
EU DOU O PASSO!
EXU ABRE A PORTEIRA!
Jurema é mata viva,
é ciência verdadeira.
Eu não fujo da sombra.
Eu atravesso a escuridão.
Porque quem conhece a mata
não teme a própria direção.
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(Clímax — trance, tambores crescendo)
Jurema!
Mata!
Encantaria!
Mestre!
Mestra!
Exu!
Caminho!
Eu dou o passo!
Eu assumo a estrada!
Eu atravesso a porteira!
Eu não entrego minha vontade!
EU CAMINHO!
E quando a estrada se abrir...
Eu não digo:
“Foi Exu quem me levou.”
Eu digo:
“Eu tive coragem de ir.”
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(Outro — maracá desaparecendo)
Pé na terra.
Olho na estrada.
Coração desperto.
Eu dou o passo...
Exu dá o caminho.
E a Jurema...
guarda o mistério.