Irúnmolè Primordiais
(Canção Afro-Mística | Ifá | Coro Ancestral)
[Introdução]
Antes da Terra, antes do mar,
Antes do tempo aprender a girar,
Havia apenas o silêncio profundo,
E o sopro divino sonhando o mundo.
Do coração de Olódùmarè,
Nasceram luzes para criar,
Irúnmolè, chamas eternas,
Que vieram o cosmos despertar.
[Verso I]
Obatalá desceu vestido de branco,
Trazendo a forma que iria nascer.
Com barro sagrado moldou os caminhos,
Onde a alma viria viver.
Odùduwà espalhou a terra,
Sobre as águas da imensidão.
Do caos ergueu montes e vales,
Firmando o chão da criação.
[Pré-Refrão]
Quando nada existia, eles já eram.
Quando não havia voz, eles cantavam.
Guardiões dos mistérios antigos,
As leis divinas que tudo sustentavam.
[Refrão]
Irúnmolè, Irúnmolè!
Luminosos do primeiro amanhecer.
Filhos da Fonte, arquitetos do infinito,
Ensinando o universo a florescer.
Irúnmolè, Irúnmolè!
Forças vivas do poder ancestral.
No Òrun e no Àiyé ressoam,
Como o canto da criação primordial.
[Verso II]
Orunmilá abriu os livros do destino,
Onde cada estrela encontrou seu lugar.
Conhecedor dos caminhos da alma,
Que aprende, cai e volta a levantar.
Exu acendeu o movimento,
Fez a energia circular.
Abriu estradas entre os mundos,
Para a vida poder dançar.
Olokun guardou nas profundezas,
Os tesouros que ninguém vê.
Mistério vivo do oceano eterno,
Onde todos os sonhos vêm beber.
[Ponte]
Onilé desperta nas montanhas,
Nas florestas, no barro e no grão.
Seu coração pulsa na Terra,
Sustentando toda a criação.
Nas pedras antigas eles falam,
Nas águas continuam a cantar.
Nos ventos que cruzam os séculos,
Sua presença ainda está.
[Refrão Final]
Irúnmolè, Irúnmolè!
Chamas do princípio universal.
Centelhas da mente divina,
Tecendo a vida celestial.
Irúnmolè, Irúnmolè!
Que sua luz venha nos guiar.
Para lembrar que em cada ser vivo
A criação continua a pulsar.
[Final]
Laroyê ao caminho que se abre.
Ifá à sabedoria sem fim.
Obatalá, Odùduwà, Orunmilá, Exu,
Olokun e Onilé vivem em mim.
Dos céus ao coração da Terra,
Do invisível ao que se vê,
Os Irúnmolè Primordiais cantam:
"Tudo nasceu da Luz...
e à Luz há de retornar."