(Voduns da Criação)
(Canção Jeje dos Mistérios Ancestrais)
No ventre escuro do princípio, quando não havia chão nem céu, Mawu sonhou a existência, Lisa acendeu o véu.
Do sopro nasceu o destino, das águas nasceu o cantar, e os Voduns teceram caminhos para o mundo despertar.
Dan serpente de luz eterna, desenha círculos no ar, une estrelas e oceanos, faz a vida pulsar.
[Refrão]
Ê Vodun, ê Vodun, força antiga da criação. Ê Vodun, ê Vodun, bate forte no coração.
Ê Vodun, ê Vodun, sabedoria do ancestral. Ê Vodun, ê Vodun, luz do plano espiritual.
Heviosso rasga as nuvens, com seu raio e seu poder, ensina que a verdadeira força é fazer a justiça florescer.
Sakpatá toca a terra, cura a dor e a aflição, transforma as velhas feridas em sementes de renovação.
Loko habita as grandes árvores, guarda o segredo da iniciação, cada folha carrega um canto, cada raiz uma oração.
[Refrão]
Ê Vodun, ê Vodun, força antiga da criação. Ê Vodun, ê Vodun, bate forte no coração.
Aziri dança sobre as águas, traz beleza, amor e axé, derrama prosperidade nos caminhos de quem tem fé.
Os tambores ecoam longe, atravessando gerações, guardando os nomes sagrados na memória dos corações.
[Ponte]
Do Daomé aos terreiros, o fogo nunca se apagou, a voz dos velhos ancestrais o tempo não silenciou.
Na mata, no vento e no rio, na terra e no luar, os Voduns seguem vivos, continuam a nos guiar.
[Grande Final]
Mawu-Lisa, fonte divina, Dan, serpente celestial, Heviosso, trovão sagrado, Sakpatá, poder vital.
Loko, guardião das florestas, Aziri, estrela do amor, Voduns da criação eterna, manifestação do Criador.
Ê Vodun! Ê Vodun! Que ressoe o tambor ancestral!
Ê Vodun! Ê Vodun! No infinito espiritual!