Ummm ummm Meu Deus pai ele beio de peito para o céu.
Café Amargo, Orgulho da Terra
Deus meu Pai, ainda me lembro
Quando um familiar dele, lá em baixo comigo,
Subiu para tomar café.
O café fez bem, Pai,
Como a água que nos faz resistir ao dia,
Como o pão que dá força às pernas cansadas.
Mas a alma dele, meu Deus,
Também carrega orgulho pesado,
Igual ao do homem do poder.
Orgulho que não escuta,
Que não vê o irmão,
Que confunde altura com verdade.
Pai, quando chegou minha vez de tomar café,
Veio o homem do poder aos gritos:
“Fora daqui, rapidinho!
Desce lá pra baixo trabalhar!”
O café custa dinheiro, Pai,
Claro que sim.
Mas não é dele.
Nada é dele.
Tudo o que ele come
É em Teu nome.
Ele come o pão que Tu deste,
Bebe a água que Tu criaste,
Respira o ar que Tu deixaste no mundo
E ainda assim grita,
Como se fosse dono do céu.
Pai, eu fiquei.
Não por querer,
Mas porque os gritos dele
Cortavam mais que a fome.
O orgulho dele
É veneno da terra, Pai,
Veneno que mata devagar
Quem não aprende a perdoar.
Eu desci em silêncio,
Com o coração apertado,
Mas levei comigo a verdade:
Quem nega o café hoje,
Nega o pão amanhã,
E não sabe que o céu tudo vê.
Deus meu Pai,
Guarda minha alma do veneno,
Não deixes que o orgulho deles
Entre no meu peito.
Que eu continue a beber da Tua água,
Mesmo quando o café é amargo
E o dia pesa mais que o corpo.
Amém.