Ummm… ummm… ummm…
Meus amigos de trabalho dizem que entendem,
mas viram o rosto quando a carga pesa.
Meu cheff manda, grita, aponta o dedo,
mas nunca desce pra lama,
nunca suja as mãos na mesa.
Seu cunhado vive de favor,
seu primo vive de nome,
todos sentados à sombra
enquanto eu carrego o peso
que eles chamam de “homem”.
Malandros… malandros de todo o tempo,
querem tudo pronto, tudo feito,
querem respeito sem esforço,
querem salário sem direito.
Chegam com conversa mansa,
com sorriso ensaiado,
mas por trás do riso fácil
vive o vício de mandar
sem nunca ter trabalhado.
Ummm ummm ummm
Eu acordo antes do sol,
me deito depois da dor,
meu corpo paga a conta
do conforto deles,
do luxo que nunca foi suor.
Eles contam histórias falsas,
inventam mérito e valor,
roubam tempo, roubam forças,
roubam até o nome
de quem construiu com dor.
Malandros de família,
malandros de herança,
filhos da preguiça,
netos da arrogância.
Quando o trabalho aperta,
somem, viram neblina,
deixam o peso nas minhas costas
e ainda chamam isso
de rotina.
Ummm… ummm… ummm…
Já vi muitos assim passar,
crescer pisando em gente,
mas o chão guarda memória
e não perdoa eternamente.
Riem quando eu sangro calado,
fazem piada do meu cansaço,
mas cada passo que dou
é um degrau que subo
enquanto eles ficam no mesmo espaço.
Querem tudo sem fazer nada,
querem tudo sem pagar,
querem colher sem plantar,
querem mandar sem saber amar.
Mas escuta bem, cheff,
escuta bem, malandragem:
quem vive sugando o outro
morre seco,
sem honra,
sem coragem.
Ummm ummm ummm
Eu sigo em pé, mesmo ferido,
porque minha dignidade
não se vende, não se herda,
não vem de primo,
nem de marido.
Vem do braço cansado,
do suor no olhar,
vem de quem trabalha de verdade
e não precisa roubar
pra se afirmar.
Ummm… ummm… ummm…
O tempo cobra tudo,
não esquece ninguém,
e o malandro que hoje manda
amanhã não vale
nem o que diz que tem. Honra mais honra a se esconder aaaaaaa aaaaa