(Intro - Som de respiração profunda, como alguém emergindo da água. Batida abafada que vai ficando nítida.)
(Acabou.)
(Eu finalmente respirei.)
(Sai da minha frente.)
(Verso 1 - Flow lento, voz grave e rouca, quase cansada)
Eu carreguei um cadáver nas costas por anos
E o pior é que esse corpo era o meu
Aceitei migalhas, engoli meus planos
Vivi num teatro onde só eu não era eu
O espelho me mostrava um estranho, um refém
Das palavras que você usou pra me diminuir
Eu achava que não era ninguém
Que precisava dessa toxicidade pra existir
Mas hoje eu acordei e o gosto tava amargo
O gosto de sangue de tanto morder a língua
Decidi que não carrego mais esse fardo
Vou deixar essa versão minha à míngua.
(Pré-Refrão)
Toda vez que eu disse "sim" querendo dizer "não"
Eu cavei um pouco mais do meu próprio chão
Mas eu parei de cavar.
Eu larguei a pá.
Agora me vê subir.
(Refrão - Explosivo, vocais rasgados, beat pesado de trap/rock)
Eu não sou mais refém do que me quebrou!
Olha bem pra mim, vê o que restou
É ouro puro nas cicatrizes que eu fechei
Eu sou o rei do império que eu mesmo reconquistei
Leva teu veneno, que eu já tenho o antídoto
O meu amor próprio agora é meu único vício
Tô livre desse ciclo!
(Verso 2 - Rap mais acelerado, agressivo, cortante)
Cortando laços como quem corta fio de bomba
Antes eu tinha medo da minha própria sombra
Hoje eu sou a escuridão que te assusta
Porque eu aprendi o quanto minha paz custa
E foi cara, paguei com noites em claro e crise
Mas não tem mais nada que me paralise
Não vem me chamar de arrogante
Só porque eu não sou mais aquele ignorante
Que aceitava qualquer coisa pra não ficar só
Eu queimei aquele menino, e ele virou pó.
(Ponte - Instrumental diminui, fica só um baixo marcante. Voz firme, falada.)
Eu agradeço a dor.
Ela me ensinou exatamente o que eu não quero ser.
Você achou que eu ia morrer enterrado nisso?
Eu sou semente. Eu cresci no meio do lixo.
(Refrão Final - Máxima energia, instrumentos no talo, catártico)
Eu não sou mais refém do que me quebrou! (Nunca mais!)
Olha bem pra mim, vê o que restou
É ouro puro nas cicatrizes que eu fechei
Eu sou o rei do império que eu mesmo reconquistei
Leva teu veneno, que eu já tenho o antídoto
O meu amor próprio agora é meu único vício
Tô livre desse ciclo! (LIVRE!)
(Outro - Som de passos se afastando firmes. Silêncio repentino.)
Não olho pra trás.
Livre sou.