[Intro – falado]
Ya...
Casa do Isma...
Play ligado, fumo no teto...
Careca a brilhar — estalo na testa.
Bem-vindo à trincheira, mano... isto não é só jogar.
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[Verso 1]
Casa do Isma, portão torto, ferrugem à vista
Cheiro a charuto, conforto na pista
Playstation a bombar, PES no comando
Sofá todo roto, mas sempre ocupando
Cinzeiro cheio, lume a rodar
Uns a fumar, outros só a chillar
Bicho no canto, um sempre calado
Mas no olhar, o passado marcado
Teto bolorado, calor no ambiente
Casa sem luxo, mas com muita gente
Entrar ali era quase ritual
Estalo na careca — pá! — sinal cultural
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[Refrão – 2x]
Casa do Ismael, templo do fumo
Paredes manchadas, mas nunca sem rumo
Gargalhas no ar, pés a ferver
Refúgio da rua, ninguém vai esquecer
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[Verso 2]
Ali não se comia, era só dar dois
Mas sabíamos bem que éramos todos heróis
Fumo no ar, conversa puxada
Uns com risos, outros na estrada
Cá fora é guerra, na rua é pressão
Mas ali dentro, ganhavas no coração
Careca do Isma, reluzente a brilhar
Se estavas distraído, levavas sem falar
Uns perderam-se, outros aguentaram
Mas todos lá dentro um dia ficaram
Entravas vazio, saías mais leve
Mesmo sem chão limpo, aquilo era neve
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[Refrão]
Casa do Ismael, templo do fumo
Paredes manchadas, mas nunca sem rumo
Gargalhas no ar, pés a ferver
Refúgio da rua, ninguém vai esquecer
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[Verso 3]
Hoje olho p'ra trás, aprendi com aquilo
Barraco lixado, mas cada um era um filho
Sem filtros, sem capas, só cara a cara
Partilhava-se o pouco, tipo alma rara
Vi mais verdade ali do que na escola
Lealdade real, não era só pala
Casa do Isma, caos com história
Sem coroa, mas com muita memória
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[Verso Final – Fast Flow]
Carrego na mente memória da faca
Corte que ficou, dor que não passa
Rotina tramada, rua que abraça
Silêncio no fumo, presença que caça
Bófia na esquina, sempre a rondar
Mas nós de chinelo, prontos p’ra dar
Careca do Isma com brilho fatal
Palma no coco — pá! — caos total
O tempo voa, mas não disfarça
A casa do Isma vive na praça
Vivemos na sombra, na luta, na raça
E cada verdade rasga na carapaça
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[Outro – falado]
Hoje ninguém entra...
Mas todos lembram.
Casa do Ismael —
Eterna no coração do bairro.
Brr... Shhh...