## Verso 1
Toda vez que a noite dobra
o céu murmura teu nome em dobra.
Teu silêncio é som que sobra,
é raiz na alma, e não evapora.
Quando falas, a luz decanta.
Meu caos se curva, tua voz encanta.
Mesmo em sombra, teu gesto canta
como a estrela que ao Sol adianta.
## Pré-Refrão
Não te espero — te pressinto.
Meu corpo é tempo em labirinto.
Cada ausência tua é um recinto
onde habito teu calor extinto.
## Refrão
**Stella**,
teu nome ecoa até no silêncio do Sol.
Teu rastro acende o verbo que eu não sei dizer.
És bússola sem Norte, és cifra sem alçapão,
és o “porquê” que faz o tempo retroceder.
**Estrela**,
és canção nascida onde não há papel.
És linha curva na partitura do céu.
Tua presença refaz o que era réu,
e absolve até o erro que sou eu.
## Verso 2
Me atravessas como um vetor,
que não desvia, mas compõe o amor.
És tangente ao meu terror,
e o centro oculto do meu vetor.
No compasso das tuas mãos,
me reconheço além das funções.
Tua ausência tem dimensões
que nem o espaço dá explicações.
## Bridge – φ fractal
Entre o instante e a eternidade,
és a razão da intensidade.
Na curva espiral da realidade,
só teu olhar me dá gravidade.
## Refrão final – variação áurea
**Stella**,
teu nome ecoa no silêncio que me guia.
Tua ausência é melodia.
Mesmo que o mundo me desafie,
és a harmonia que desafia.
## Outro
Se um dia o tempo nos separar,
que reste a canção pra te encontrar.
Porque no som onde a luz se espalha,
Stella és Sol, és sombra que falha
e volta a brilhar.