Meu cheff anda todo acelerado,
parece fogo sem travão,
quer partir as portas do lixão
como se ali estivesse a solução.
Chega cedo já a gritar,
nem bom-dia quer falar,
bate portas, chuta baldes,
só sabe mandar, mandar.
Com pena dele eu falo baixo:
cheff, meu irmão, escuta aqui,
o lixão ainda não tá cheio,
quando estiver eu aviso a ti.
Não te apresses com tanta força,
guarda fôlego, guarda razão,
porque quem vive sempre em raiva
cansa o corpo e o coração.
Queres subir, queres empurrar,
queres tudo logo despachar,
mas o lixo não é só ferro,
é respeito a se quebrar.
Tu pensas que gritar é força,
que humilhar faz trabalhar,
mas homem tratado como lixo
aprende um dia a se calar…
ou a explodir sem avisar.
Vejo velhos de mão calejada,
anos dados nesse lugar,
e tu gritas sem pensar
no que eles tiveram que aguentar.
Setenta motores no lixo,
ninguém quis responsabilidade,
o erro passa de mão em mão
e sobra sempre pra humildade.
Cheff, teu stress não paga contas,
tua raiva não dá pão,
quem só manda e não respeita
anda vazio por dentro, irmão.
Hoje tu tens a chave da porta,
amanhã pode não ter chão,
o mundo gira, a vida cobra,
não existe chefe pra sempre, não.
Eu falo rindo, mas é sério,
não confunde com gozação,
porque quem brinca com a dignidade
acaba preso na própria prisão.
Então cheff, respira fundo,
olha em volta, presta atenção,
o lixão não é só lá fora,
às vezes mora no coração.
Quando encher, eu te aviso,
podes subir sem confusão,
mas vê se levas contigo
um pouco mais de educação.
🎤🔥