Ummm… ummmm…
e é, é, é, é, é, cheff…
Cara, minha vida nasceu dentro do teu medo,
olhos no retrovisor, passado correndo cedo,
86 Golf do México, motor a gritar,
fugindo do nada, sem saber onde parar.
Cruzei a Argentina com fome no olhar,
noites sem nome, sem chão pra pisar,
aprendi cedo que o mundo não espera,
ou ficas de pé… ou a alma se entrega.
Cidade debaixo d’água, silêncio a gritar,
casas a boiar, memórias no mar,
Inglaterra caiu, vi o céu rachar,
chuva como faca, ninguém quis ficar.
O mar levantou como um muro sem fim,
vi homens fortes chorarem por si,
todos se entregaram, largaram a mão,
eu respirei fundo, segurei o coração.
“Deus nos ajude!” — ouvi ecoar,
vozes misturadas com medo e sal,
minhas palavras saíram sem pensar:
“Será este meu fim? Vim aqui pra afundar?”
E quando tudo tremia, corpo e razão,
uma voz rompeu a escuridão:
“Não, filho… não, filho…” — firme, leal,
não era o medo, era algo real.
Fiquei de pé quando ninguém ficou,
água no peito, mas a fé não afogou,
sozinho no caos, ferido por dentro,
mas vivo… vivendo… contra o tempo.
O mar tentou, o mundo tentou,
me dobrar, me calar, me apagar quem sou,
mas cada queda virou cicatriz,
cada cicatriz me fez mais raiz.
Ummm… ummmm…
eu fiquei quando tudo caiu,
eu vivi quando o fim me seguiu,
se era pra acabar, não acabou aqui,
o destino piscou… e passou por mim.
E hoje eu canto não pra esquecer,
canto pra lembrar que eu sei sobreviver,
se perguntarem quem ficou de pé,
diz que fui eu… com medo e com fé.