Ummm… mmmmmm… aaaaaaa…
Cheff…
[Verso 1]
Teu erro foi em me acordar
Dormi muitos anos, deixei tudo passar
Minha vida já tinha cicatriz fechada
Mas tu quiseste mais, quiseste a estocada
Tentaste me cravar outra vez sem razão
Mas soltaste um caxineiro, filho do mar, do chão
Não sabes o peso que chamaste à tona
Quem nasce da maré não abandona
[Pré-Refrão]
Eu vi calado, eu vi a sangrar
Vi gente a trabalhar sem poder falar
Eu vi a injustiça crescer na tua mão
E guardei tudo no peito, como maré de pressão
[Refrão]
Sou caranguejo, ando de lado mas nunca caio
Sou lembrança viva do que tu tentaste apagar
Sou tempestade quando o céu fica baixo
Sobrevivi ao mar, à terra, à dor, ao naufragar
Sou caranguejo, casco duro, coração antigo
Quando eu cresço, não há grito que me pare
Agora levanto pra fechar teu caminho
Porque quem brinca com o povo… paga mais tarde
[Verso 2]
Sobrevivi à fome, ao sal, à solidão
À terra dura, à noite sem pão
Sobrevivi a ordens cuspidas no vento
À humilhação vestida de mandamento
Tu pensavas que o tempo me ia calar
Mas o tempo me ensinou a observar
Cada gesto, cada abuso disfarçado
Eu vi tudo, registrei calado
[Pré-Refrão 2]
Enquanto rias, eu aprendia a ficar forte
Enquanto mandavas, eu media a tua sorte
A injustiça que criaste tem memória
E o mar não esquece — cobra a história
[Refrão]
Sou caranguejo, filho da maré fechada
Sou lembrança que volta quando ninguém quer
Sou tempestade, não peço estrada
Quando eu avanço, cai quem estiver de pé
Sou caranguejo, sou raiz, sou areia
Não me compras, não me partes, não me travas
Agora cresço pra te parar na veia
Tudo o que fizeste… a maré lava
[Ponte]
Ummm…
Ouves o mar?
Não é canto… é aviso
Não é raiva… é juízo
A gente que estava a trabalhar
Eu vi, eu senti, eu não esqueci
A injustiça que criaste no lugar
Agora vem sentar-se diante de ti
[Último Refrão]
Sou caranguejo, não corro — avanço certo
Sou memória viva do chão e do cais
Quando o povo acorda, não há decreto
Nem cheff nenhum que mande mais
[Outro]
Ummm… mmmmmm…
Cheff…
Teu erro…
Foi me acordar.