(Volta Pra Casa, Filho)
(Umbanda • Afro • Ponto Moderno • Profunda • Resgate da Alma)
[Abertura]
No silêncio do congá, eu ouvi...
Uma criança chorando dentro de mim.
Não era o som da fraqueza.
Era uma alma pedindo para voltar.
[Verso 1]
Nasci com o fogo correndo nas veias,
Carregando mistérios que eu não compreendia.
O mundo apontou meu rosto e disse:
"Você nasceu para trazer agonia."
Então escondi meu coração,
Vestindo armaduras de solidão.
Transformei tristeza em tempestade,
Raiva em proteção.
Mas toda noite, quando o silêncio vinha,
Eu escutava uma voz tão pequena.
Era o menino que eu abandonei
Perdido atrás da própria pena.
[Pré-Refrão]
E quando eu já não sabia quem era,
Uma luz atravessou a escuridão.
Era o amor da minha mãe
Chamando meu espírito pelo nome.
[Refrão]
Volta pra casa, filho...
Teu lugar nunca deixou de existir.
Mesmo coberto de dor e culpa,
Ainda existe luz em ti.
Volta pra casa, filho...
Teu coração não nasceu para sofrer.
A alma que se perdeu no caminho
Ainda se lembra de quem veio ser.
[Verso 2]
Eu carregava culpas ancestrais,
Pesos maiores que minhas mãos.
Achando que minha simples presença
Era motivo de destruição.
Vi lágrimas nos olhos dela,
E aquilo cortou meu espírito ao meio.
Pensei que eu era a ferida,
Sem perceber que também era o remédio.
Corri por vales da própria sombra,
Tentando fugir do que senti.
Mas quanto mais distante eu andava,
Mais distante ficava de mim.
[Ponte Espiritual]
Então os tambores começaram a soar.
Os ancestrais vieram me buscar.
Disseram:
"Filho, a sombra não é teu nome.
A dor não é tua identidade.
Você não é a maldição que acreditou ser.
Você é a centelha que esqueceu sua verdade."
E naquele instante eu vi...
A criança abandonada dentro de mim.
Esperando apenas ser abraçada.
[Refrão Grande]
Volta pra casa, filho...
O amor ainda te reconhece.
Mesmo quando a alma se perde,
A luz do espírito não desaparece.
Volta pra casa, filho...
A Mãe nunca deixou de esperar.
Pois quem nasceu do amor divino
Sempre encontrará o caminho de voltar.
[Ponto de Cura]
Saravá as mães que chamam seus filhos de volta.
Saravá as almas que atravessam a noite.
Saravá a criança esquecida.
Saravá o reencontro.
[Final]
Hoje eu não luto contra o que sou.
Hoje eu recolho cada pedaço perdido da minha alma.
E no toque sagrado do atabaque...
O menino que se sentia um demônio
Finalmente descansa.
Porque descobriu...
Que nunca deixou de ser amado.