Velha porteira de angico Que me traz recordação
Parece que ouço o grito Do carreiro Zé João
Naquele tempo que foi
Falava o nome dos bois
Pra não agarrar no mourão
Vem, desencoste malhado
Segura lebre e paixão
Brinquedo e apaixonado
Pretinho e figurão
E aquele boi malvado Que com chifre afiado
Traçou seu coração
Lá na tábua da porteira
Tem um sinal de ferrão
Vinha trazendo madeira
No seu velho carretão
Todas as vezes que passava Na tábua ele ferroava
Formando um coração.
Quem vê aquele desenho De um coração bem feito
Saibas que por ele tenho Muito amor e respeito
É uma recordação Do saudoso Zé João
O velho carreiro preto.