A nossa casa não é mais aquela casa
meu Deus do céu como ficou diferente
o lugarejo que eu mais adorava
já nem parece aquele lugar da gente
cadê meus manos que deixei todos pequenos
já cresceram e aqui não vivem mais
foram embora viver em outros terrenos
aqui nascemos com destinos desiguais
Mangueira velha espelho da Saudade
acolhedora com a sua sombra amiga
suas raízes condenada pela idade
já desfolhada toda cheia de formiga
Abacateiro bem pertinho da janela
da varanda de mamãe torrar café
era pousada das Garrinchas tagarela
apodrecido mostra vida como é
o pé de amora a morada dos assanhaços
Dos periquitos cardeais e azulão
está caído transformado em pedaço
Desfalecido consumado pelo chão
Voltei para matar minha saudade
Me machuquei com os calos dessa vida
o tempo fere castiga sem piedade
era meu lar essa tapera adormecida
o tempo fere fura fundo do coração
tem certeza que o tempo é covarde
este poema escritor com emoção
Entitulado seis versinhos de saudade