Sou caxineiro, filho do mar
Também sou estrangeiro, sem lugar
Saí das Caxinas como vileiro
Mochila leve, sonho inteiro
Levei sal na pele, fé no olhar
Deixei a infância a chorar no mar
Prometi voltar sem me perder
Mas o mundo ensinou a doer
Pré-Refrão
Chão estranho, língua fria
Aprendi a ser forte todo dia
Quem parte nunca vai inteiro
Volta homem… mas estrangeiro
Refrão
Sou caxineiro, mas também sou estrangeiro
Voltei diferente, não sou o mesmo de primeiro
Saí das Caxinas como um filho do lugar
Voltei como estrangeiro, sem saber onde ficar
Sou caxineiro, trago o mar no coração
Mas a vida mudou a direção
Entre a terra que me viu nascer
E o mundo que me fez sobreviver
Verso 2
Vi promessas virarem pó
Vi saudade apertar só
Trabalhei calado, noite e manhã
Com o nome das Caxinas como irmandade vã
Quando voltei, olhares estranhos
Como se eu fosse de outros anos
A casa era a mesma, mas não eu
O tempo passou… e não pediu
Ponte
Quem emigra morre um pouco
Renasce duro, renasce louco
Nem daqui, nem de lá
Vivo entre ondas, sem porto pra ancorar
Refrão Final
Sou caxineiro, mesmo longe do cais
Sou estrangeiro onde volto e onde vais
Saí vileiro, voltei com cicatriz
Mas trago Caxinas na raiz
Sou do mar, da luta, da verdade
Sou saudade vestida de identidade
Se me chamam estrangeiro, que seja então
Mas Caxinas vive em cada batida do coração