DEUS MEU PAI, AINDA ME LEMBRO
Deus meu Pai, ainda me lembro
Do dia em que o homem do poder
Veio aos gritos contra mim
Com palavras duras, sem querer ver
“Fora daí! Vai já! Empanca!”
Dizia ele com raiva na mão
Tentando mandar no meu caminho
Como se mandasse no meu coração
O chão tremia sob meus pés
O ar pesava no meu peito
A injustiça vinha de frente
Vestida de ordem e de direito
Minhas palavras saíram baixas
Mas carregadas de verdade:
“Tira a mão, irmão, antes que eu me perca”
Não quero perder minha humanidade
Deus meu Pai, Tu estavas lá
No silêncio que tudo vê
Enquanto ele gritava ódio
Tu me ensinavas a não ceder
Ouvi Tua voz dentro de mim:
“Filho, calma, Eu estou aqui
Segue teu caminho com dignidade
Não devolvas o mal que recebi”
Não mostres ódio, mostra amor
Mesmo quando a dor quer mandar
Porque o ódio prende a alma
E o amor deixa caminhar
Vi muitos perderem o rumo
Por responderem com veneno
Eu escolhi guardar o céu
Mesmo atravessando o terreno
O homem do poder pensa que vence
Quando faz o outro tremer
Mas não vê que o verdadeiro forte
É quem escolhe não ferir
Carreguei caixas, carreguei silêncio
Carreguei peso sem reclamar
Porque aprendi contigo, Pai
Que o tempo sabe julgar
Cada lágrima que caiu no chão
Tu recolheste sem ninguém ver
E cada palavra engolida
Tu transformaste em aprender
Quando a noite parecia longa
E a saída parecia não vir
Tu disseste: “Anda comigo”
E eu continuei a seguir
Não revidei, não levantei a mão
Não deixei o ódio entrar
Porque quem anda contigo, Pai
Aprende a esperar
Deus meu Pai, obrigado por estares comigo
Quando tudo queria me quebrar
Por dizeres: “Filho, Eu estou aqui”
Quando o mundo mandava calar
Hoje sigo com o peito limpo
Sem corrente no coração
Quem mostra amor no meio do grito
Já venceu a opressão
Deus meu Pai, ainda me lembro
E sempre me lembrarei assim:
O poder que não ama cai
Mas o amor não tem fim