A Alma Não Se Vende
Deus meu Pai, ainda me lembro
Do dia em que me mandou pra fora
A rumar paletes partidas e boas
Como se a alma fosse coisa à toa
Chegou ao pé de mim, riso na cara
Suas palavras cortaram o ar:
“Estás a ver? Já ganhei 300 euros”
Como se o dinheiro pudesse mandar
Eu senti o golpe, Pai, confesso
Mas fiquei de pé por dentro
Porque quem vive só de ganho
Vive pobre no sentimento
Deus meu Pai, pensei em silêncio:
Podes castigar o meu corpo cansado
Mas a minha alma, não
Essa não te é dada, nem vendida, nem roubada
Não deixo teu veneno entrar
Não deixo teu orgulho ficar
Minha alma tem dono, tem nome
Minha alma é de Deus, não do homem
Riram de mim, chamaram vitória
O que eles chamam ganhar
Mas quem perde o amor do peito
Já perdeu sem reparar
Eu fiquei com as mãos vazias
Mas com o coração inteiro
Eles ficaram com moedas
E um silêncio verdadeiro
Deus meu Pai, guarda minha alma
Como sempre guardaste
Porque quem não trai o irmão
Já venceu — mesmo quando nada ganhaste
Minha alma é de Deus, meu irmão
Não se compra, não se humilha
O veneno fica contigo
A luz fica na minha trilha