JUSTIÇA NA LEI DE DEUS
A justiça na lei de Deus não grita,
não pisa, não faz espetáculo.
Ela nasce no silêncio do céu
e desce mansa ao coração do homem.
Não se vende por moedas,
não se dobra ao medo nem ao poder.
Não protege quem oprime,
nem chama vingança de dever.
A justiça de Deus vê tudo,
mesmo o que ninguém quer ver.
Vê a lágrima escondida,
vê o pão que foi negado sem dizer.
Quem fere pensa que vence,
mas só adianta o próprio cair.
Quem humilha hoje o irmão
amanhã vai ter de se ouvir.
Na lei de Deus, o forte serve,
o grande aprende a baixar.
Quem levanta muros de ódio
não consegue o céu tocar.
A justiça divina não corre,
mas também não falha o caminho.
Chega no tempo exato,
quando o orgulho está sozinho.
Ela não esquece o pobre,
nem a criança sem voz.
Cada grito calado na terra
ecoou inteiro em Deus Pai e em nós.
Quem nega o pão treme o céu,
quem fecha a porta esfria o chão.
Porque o amor que não vira gesto
congela dentro do coração.
Mas quem escolhe a verdade,
mesmo ferido, mesmo em dor,
descobre que a justiça de Deus
anda de mãos dadas com o amor.
No fim, não fica o poder,
nem o nome feito de medo.
Fica apenas quem amou
e não traiu o próprio credo.
Porque a justiça na lei de Deus
não destrói — ela refaz.
Quebra a mentira por dentro
e devolve ao homem a paz.