identidade caxineira 🌊⚓
o povo do mar fala.
Caxineiros no Mar
Caxineiros no mar, sempre a puxar as redes,
No frio da madrugada, a vencer todas as sedes.
Estamos no mar, com o corpo a balançar,
Entre o medo e a coragem, sem nunca recuar.
O motor geme baixo, a lua quer cair,
O vento corta a cara, mas ninguém pensa em desistir.
O sal queima nas feridas, a mão começa a sangrar,
Mas a rede vem pesada, é preciso aguentar.
Com suas mãos a rasgar, sem parar de puxar,
Cordas duras na pele, a alma a apertar.
Cada nó é memória, cada dor é lição,
Aprendida em criança, passada de geração.
É sardinha, carapau, cavala e faneca,
Peixe do pobre e do rico que nunca se nega.
Quando a rede vem vazia, dói mais que o mar,
Mas ninguém baixa a cabeça, voltamos a tentar.
Trazer o peixe pra terra, promessa cumprida,
Mesa simples, mas cheia, orgulho da vida.
A mulher espera firme, com reza na mão,
As crianças aprendem cedo o peso do pão.
Pra família alimentar, com suor e verdade,
Não se vende a alma por falsa facilidade.
Sem traição no coração, nem mentira no olhar,
O caxineiro é reto como o rumo no mar.
O mar é escola dura, não perdoa falha,
Hoje dá peixe farto, amanhã corta a malha.
Já levou muitos nomes escritos na areia,
Mas deixou coragem viva em quem fica e peleia.
Quando a tempestade grita e o céu quer cair,
Só Deus e o companheiro sabem o que é resistir.
O barco dança na vaga, o medo quer entrar,
Mas a fé segura firme o homem do mar.
Entre Caxinas e o mundo fica esta canção,
De homens feitos de luta, sal e oração.
Se um dia o mar nos chamar e não houver voltar,
Fica a honra na terra, fica o nome no mar.