Cheff,seu aldrabão ouvi a nossa tradição nas nossas Caxinas há uma tradição antiga,
vem dos avós, dos pais, da fome e da vida.
O bacalhau chega cedo, ainda o dia mal clareou,
já há panela no lume e promessa do que ficou.
Na cozinha fala-se alto, ri-se, discute-se também,
mas ninguém sai zangado quando o cheiro vem.
É sal, é água quente, é tempo pra esperar,
porque coisa boa na vida não nasce a correr, devagar.
Todos comem, todos sentam, não há lugar marcado,
quem chega puxa a cadeira, ninguém fica isolado.
A mesa é comprida, cabe o mundo inteiro,
ali somos todos iguais, ricos só no tempero.
Depois da festa, quando a noite cai mansa,
fica o cansaço bom, fica a lembrança.
Mas a tradição não morre, não fica pra trás,
o bacalhau ainda fala, pede mais.
Vem o bolinho feito à mão, sem medida, sem papel,
é olho, é memória, é segredo fiel.
Ainda bem que vai pra mesa outra vez,
porque comida boa repete-se três, quatro vezes. 😋
Pimenta a acordar a língua, alho forte a marcar,
batata a segurar tudo pra não desmanchar.
Salsa fresca picada, cebola a chorar,
é o prato a contar histórias sem precisar falar.
Do resto do bacalhau ninguém faz pouco caso,
o que sobrou vira ouro, vira abraço.
No dia seguinte ainda há prato e pão,
a tradição continua de geração em geração.
É assim que a gente aprende o valor do pouco,
que desperdício é vergonha e partilha é fogo.
Nas Caxinas, Cheff, a vida é assim:
mesa cheia, mesmo quando o bolso tá ruim.
Entre copos vazios, tachos marcados pelo tempo,
fica a alma da casa presa nesse momento.
Enquanto houver bacalhau, alho e união,
a tradição portuguesa vive no coração.