Verso 1
Andei por ruas de chumbo, olhar de aço, o mundo frio,
Aprendi a obedecer, sonhei com força, com vazio.
O uniforme era meu escudo, noites curtas, alma ausente,
Troquei sorrisos por silêncio, chorei calado, lentamente.
Refrão
E agora ouço vozes na escuridão,
Rostos que eu nunca vi com atenção.
Carrego sombras, pesam mais que o ar —
Quem fui eu, quem sou no olhar?
Não sou herói, nem capitão,
Só um homem com culpa nas mãos.
Verso 2
Ensinavam como espalhar o medo em forma de fileira,
Como tirar nomes, guardar a dor na prateleira.
Segui cego, achando que dever era salvação,
Mas o dever tem preço alto — chama-se solidão.
Refrão
E agora ouço vozes na escuridão,
Rostos que eu nunca vi com atenção.
Carrego sombras, pesam mais que o ar —
Quem fui eu, quem sou no olhar?
Não sou herói, nem capitão,
Só um homem com culpa nas mãos.
Ponte
Talvez “arrependimento” seja só um som,
Um sussurro que o vento leva, sem tom.
Mas é melhor tremer do que calar,
Prefiro a dor a continuar a matar.
Verso 3
Quando o sol nascer, batendo nas portas que fechei,
Pergunto ao tempo: será que mudei?
Pago com noites, pago com o que sou,
Respiro fundo — vivo, mas não como estou.
Refrão final (suave)
E agora ouço vozes na escuridão,
Rostos que eu nunca vi com atenção.
Carrego sombras, pesam mais que o ar —
Quem fui eu, quem sou no olhar?
Não sou herói, nem capitão,
Só um homem buscando perdão.
Final (baixo, emocional)
As correntes foram de aço, mas quebro aos poucos com a luz,
Deixo a rua de chumbo atrás de mim — ainda não livre, mas em cruz.
Um passo, uma palavra, um clarão —
Talvez do erro nasça o coração.
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