O motor ruge entre as selvas de pedra
O asfalto é um rio de pressa e agonia
No banco de trás, a vida se quebra
Em espasmos que o peito jamais esqueceria
Seu corpo pequeno, o olhar pro vazio
O medo no volante faz a mão suar frio.
(Pré-Refrão)
O sinal ficou vermelho, mas o mundo parou
A lei do trânsito o meu desespero ignorou
Cortei o caminho, arrisquei o que pude
Numa ultrapassagem onde a morte alude.
(Refrão)
Correndo contra o tempo, rasgando a cidade
Entre buzinas e gritos, só restou a vontade
De chegar na porta, de entregar pro doutor
Salva o meu mundo, cura a minha dor.
(Verso 2)
As portas de vidro se abriram enfim
Ele foi pra cirurgia, longe de mim
No corredor branco, o silêncio é tortura
Cada minuto é uma vida que dura
Oramos baixinho, olhando pro chão
Segurando os pedaços do meu coração.
(Ponte)
Sessenta minutos, uma eternidade
O médico surge com a face da verdade
As palavras são pedras que caem sobre o ser:
"Sinto muito, não houve o que fazer".
(Refrão Final)
O mundo parou, a luz se apagou
As trevas chegaram onde o sol brilhou
O céu ficou mudo, a terra cedeu
Naquele momento, uma parte de mim morreu.
(Outro)
Mas guardo na alma, como uma estrela
Aquela imagem, a paz de revê-la...
Aquele sorriso banguela, sem fim
Vai morar pra sempre, guardado em mim.
Pra sempre... meu pequeno...
Pra sempre em mim.