O choro ecoou no quarto, o silêncio veio depois
A vida deu as boas-vindas, mas levou quem lhe deu a voz
A mãe partiu pro céu no instante em que ela chegou
E o mundo, de braços fechados, a pequena rejeitou.
Passou de mão em mão, em lares sem calor
Ouvindo que era um fardo, sentindo o desamor.
(Pré-Refrão)
Mas o destino guardava um par de mãos calejadas
Um homem de alma nobre, em meio ao nada.
(Refrão)
Ele a tomou nos braços, disse: "Eu sou seu pai"
Dali pra frente, o medo a gente deixa pra trás.
Pai de alma, pai de lida, herói da enxada
Escrevendo uma história em terra batida e suada.
(Verso 2)
Moraram de favor, em teto que não era seu
Na escola, o riso amargo, o bullying que doeu.
Mãos rudes lhe batiam, pancadas na cabeça
"Você não vale nada", diziam que ela esqueça.
Mas via o pai na roça, sob o sol de rachar
Trazendo o pouco pão pra ela não desanimar.
(Ponte)
Ela cresceu com o calo e a força do sertão
Levou na mala a coragem e o perdão no coração.
Partiu pro mundo largo, foi tentar a sorte
Levando a fé do pai como o seu norte.
(Verso 3)
O tempo passou depressa, a vida floresceu
A menina que apanhou, o mundo então venceu.
Não guardou a ferida, não guardou a mágoa
Limpou todo o passado com um pingo d’água.
Olhou pro velho pai, com orgulho no olhar
"A gente venceu, pai, agora pode descansar".
(Refrão Final)
Ele a tomou nos braços, disse: "Eu sou seu pai"
O sofrimento antigo, o vento agora esvai.
Pai de alma, pai de lida, herói da enxada
Hoje ela é o brilho da sua caminhada.
(Outro)
Foi rejeitada, foi ferida, mas soube amar
Pois quem tem amor em casa, sabe onde chegar.
Livre de mágoa...
Simplesmente feliz.