Umm… ummm… ummm…
No silêncio da noite eu rezei,
acreditei em ti, confiei, lutei.
Chamei-te amigo, chamei-te irmão,
mas escondias veneno no coração.
Sempre tentei ser abrigo e chão,
dei-te verdade, dei-te perdão.
Mas era o dia marcado na escuridão,
o dia da traição, como Judas na mão.
Umm… ummm… ummm…
Eu tentei mais uma vez te salvar,
mas a cabeça começa a queimar.
Quando a mentira domina o olhar,
já não consegues dela escapar.
O fogo sobe, a consciência dói,
cada palavra falsa te destrói.
Pensavas fugir, pensavas vencer,
mas ninguém foge do que escolheu ser.
Umm… ummm… ummm…
Chega a hora, o dia vai chegar,
o tempo levanta tudo do lugar.
Judas, vais pegar o peso do mal,
não há ouro que compre a paz final.
Beijaste o rosto da verdade,
vendeste amor por vaidade.
Trinta moedas, um vazio sem fim,
um grito preso dentro de ti.
Eu fiquei com lágrimas e fé,
tu ficaste com o preço do que és.
Eu caí de joelhos pra não odiar,
tu ficaste de pé sem saber amar.
Umm… ummm… ummm…
Na cruz eu aprendi a perdoar,
mas a dor ninguém pode negar.
O perdão liberta quem sabe amar,
mas a culpa escolhe onde ficar.
Quando a noite vier te cobrar,
não vai haver onde te esconder.
O espelho vai te falar a verdade,
e esse olhar não vai saber mentir.
Umm… ummm… ummm…
Se um dia pedires redenção,
que seja com o coração no chão.
Porque amizade não se vende, não,
e a traição é uma prisão.
Eu sigo ferido, mas em pé,
com cicatrizes, mas com fé.
Tu segues rico de ilusão,
pobre de alma, preso à traição.
Umm… ummm… ummm…
O dia chega… o dia vem…
cada Judas encontra o seu além.
Se quiseres, posso: te lembrar hoje o dia que vai chegar